A Igreja e a Política

Autor desconhecido

Em momentos como os que vivemos discutem-se vários assuntos, entre eles a participação do cristão na política. Observando as escrituras e a história da igreja, que atitude deveria um cristão genuíno tomar diante da atual disputa pelo poder?

Devemos entrar na vida política da nação, elegendo irmãos ou até mesmo formando partidos, ou devemos nos abster da questão e deixar os rumos da nação onde vivemos inteiramente nas mãos dos ímpios? Seria correto deixar que os representantes de uma parcela significativa de cidadãos não tivessem qualquer relação com seus valores morais e éticos? Por outro lado, como conciliar o padrão da vida cristã com os instrumentos mais flexíveis da política? Realmente, essa não é uma questão simples.

Vejamos a matéria primeiramente em relação ao que mostra a história da igreja. Assim, segundo o relato histórico, podemos ver um grave problema que surgiu a partir do século IV, quando o Imperador Constantino adotou o cristianismo como a religião oficial do Império Romano. Desse momento em diante, estabeleceu uma forte relação do Estado com a igreja, dando origem à degradação da condição espiritual da igreja, denominada a partir daí, como Pérgamo, que significa casamento (segundo Apocalipse 2:12-17). Essa aproximação introduziu 2 tipos de “vírus” na vida da igreja: hierarquia humana (nicolaísmo) e o serviço a Deus por interesse (doutrina de Balaão). Isso fez com que pouco a pouco fossem anuladas as funções do Corpo de Cristo; igualmente acrescentou ensinamentos que visavam antes ao lucro do que propriamente ao interesse de Deus em Sua pura Palavra. Mais tarde, tal mistura trouxe mais prejuízos à igreja, levando-a a praticar a idolatria e a fornicação (igreja em Tiatira, 2:18-29). Isso, sem dúvida, danificou por séculos o testemunho de Jesus Cristo, que é a primeira atribuição da igreja. Vemos daí que a união da igreja com a política, segundo a história e a profecia de Apocalipse, é um caminho de muito prejuízo espiritual para o povo de Deus, o qual devemos considerar seriamente.

Outro ponto importante é o modelo do Senhor Jesus e Suas palavras a Seus discípulos. Nosso Senhor, como homem, não polemizou sobre a questão política. Quando perguntado sobre se era licita a cobrança de impostos, simplesmente respondeu que as pessoas deveriam dar a César o que é de César e a Deus o que é de Deus. Indicou claramente a Pôncio Pilatos que Seu reino não era deste mundo, e que se fosse, Seus ministros se empenhariam por Ele (Jo 18:36). Mais tarde, porém, no registro dos apóstolos, vemos que autoridades do povo, mulheres gregas distintas, um parente de Herodes e até mesmo alguns da casa de César creram no Senhor Jesus. Isso mostra que o Senhor Jesus não faz acepção de pessoas com relação à entrada na igreja. Não vemos, porém, tanto dos ensinamentos do Senhor Jesus como nas epístolas, qualquer incentivo à prática política, nem mesmo que isso fosse mencionado explicitamente como algo ilícito. O Senhor parece ter estabelecido uma distinção entre o que é pessoal e o que é coletivo. No aspecto pessoal, todos estão sob dois governos: o dos homens e o de Deus. No plano coletivo, porém, a igreja é a expressão do reino dos céus na terra, portanto, dela não pode fazer parte qualquer elemento impuro ou profano. Em suma, pessoalmente devemos dar a César o que é de César e a Deus o que é de Deus, mas, na igreja, não há nada de César, tudo é de Deus. Parece-nos bem que se algum irmão quiser entrar na política, isso será um assunto entre ele, César e Deus. No entanto, se algum irmão quiser colocar a igreja na política, só se ele for Deus: “Não ponhais com jugo desigual ... . Por isso, retirai-vos do meio deles, separai-vos, diz o Senhor; não toqueis em coisas impuras, e eu vos receberei, serei vosso Pai, e vós sereis para mim filhos e filhas, diz o Senhor Todo-Poderoso” (II Co 6:14a-17,18).

Extraído do Jornal Árvore da Vida – Ano 13 – Número 132 – Página 2