A Vida pelo Espírito (Romanos 8:1-11)

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O Nome do Espírito Santo, ‘o Senhor, o Doador da vida’, é desconhecido em Romanos capítulo sete, mas aqui, no capítulo oito, o fato e o poder do Espírito Santo estão presentes em todo lugar. Aqui encontramos o segredo para calar a luta que nossas almas conhecem tão bem. Aqui está o modo de andar e agradar a Deus (I Ts 4:1) em nossas vidas justificadas. Aqui está a forma, não para ser como eram as vítimas do corpo e os escravos da carne, mas para ‘fazer morrer as práticas do corpo’ em um exercício contínuo do poder interior, e para ‘andar no Espírito’. Eis aqui o recurso no qual podemos estar para sempre alegremente pagando ‘o preço’ de tal caminhar; dando ao nosso redentor e Senhor Seu direito, o valor de Sua compra, mesmo a nossa vontade, amando render-se, no poder todo suficiente do ‘Espírito Santo dado a nós’.

Já ouvimos do Espírito Santo em nossa vida Cristã (Rm 5:5 e 7:6). A água celestial foi vista e ouvida em seu fluir; assim como em uma região de pedra calcária o viajante vê e ouve, através das fissuras nos campos, as águas correntes encobertas, mas vivas. Mas aqui a verdade do Espírito, como tais correntes de águas que por fim encontram saída em algum rochedo acidentado, precipita-se para a luz e anima toda o cenário. Nesta seqüência e tipo de tratamento há uma lição espiritual e também prática. Certamente somos lembrados de que de certa forma possuímos o Espírito Santo em Sua plenitude desde a primeira hora da nossa possessão de Cristo. Somos também lembrados de que é no mínimo possível que precisemos disso para perceber e usar a nossa possessão do pacto para que a vida possa ser desde então uma nova experiência de liberdade e santa alegria. Somos lembrados de que este ‘novo começo’ é novo antes para nós do que para o Senhor. A água esteve correndo todo o tempo sob a rocha. O discernimento e fé, concedidos por Sua graça, não a invocaram do alto, mas ela esteve no interior, liberando aquilo que ali se encontrava.

A lição prática disto é importante para o pastor e professor Cristão. Por um lado, permite a ele fazer muito, da revelação do Espírito, em suas instruções pública e privada. Permite-lhe não deixar lugar, na medida do possível, para dúvida ou esquecimento na mente de seus amigos sobre a absoluta necessidade da plenitude da presença e poder do Santo Espírito, se a vida é de fato Cristã. Fá-lo descrever tão corajosa e plenamente quanto a Palavra descreve o que a vida deve ser e onde habita aquela sagrada plenitude; quão segura, quão feliz, quão serviçal, quão pura, livre e forte; quão celestial, quão prática, quão humilde. Permite-o convencer todo aquele que ainda precisa aprender a conhecer tudo isto em sua própria experiência, clamando sobre seus joelhos pelo dom poderoso de Deus. Por outro lado, o faz ser cuidadoso para não exagerar em sua teoria e prescrever muito rigidamente os métodos de experiência. Nem todos os crentes falham nas primeiras horas da sua fé em perceber e usar a plenitude do que a Aliança lhes dá; e onde aquela compreensão chega depois de nosso primeiro vislumbre de Cristo, como acontece com muitos de nós ela de fato chega, nem sempre é a mesma experiência e ação. Para um é uma memorável crise, um Pentecostes privado. Outro desperta como que de um sono e encontra o inesperado tesouro ao seu alcance, escondido dele até então por nada mais espesso do que sombras. E outro está tão atento que de qualquer maneira usa a Presença e Poder como não usou há um momento atrás, ele cruzou uma fronteira, mas não sabe quando.

Em todos estes casos o crente possui o grande dom todo o tempo. Na aliança, em Cristo, ele era seu. Assim que avançou pela penitente fé no Senhor pisou sobre solo que, é maravilhoso dizer, era todo seu. E sob ele corre, naquele momento, o Rio de Águas Vivas. Ele apenas teve que descobrir, extrair, e aplicar.

Mais uma vez, o relacionamento entre nossa possessão de Cristo e nossa possessão do Espírito Santo que acabamos de mencionar é um assunto de máxima importância, espiritual e prática, apresentada proeminentemente nesta passagem. Ao longo dela, quando a lemos, encontramos inextricavelmente ligadas as verdades do Espírito e do Filho. “A lei do Espírito de vida” está ligada a “Cristo Jesus”. O Filho de Deus foi enviado para tomar nossa carne, para morrer como nossa Oferta pelo pecado, a fim de podermos “andar no Espírito”. “O Espírito de Deus” é “o Espírito de Cristo”. A presença do Espírito de Cristo é tal que, onde Ele habita, “Cristo está em vós”. Aqui lemos ao mesmo tempo uma advertência, e uma verdade da mais rica benção positiva. Somos admoestados a lembrar que não há um “Evangelho do Espírito” à parte. Nem por um momento devemos avançar, como aconteceu, do Senhor Jesus Cristo para uma mais alta ou mais profunda região governada pelo Espírito Santo. Todas as razões, métodos e assuntos da obra do Espírito Santo estão eterna e organicamente conectadas com o Filho de Deus. Somente O temos porque Cristo morreu. Temos vida porque Ele nos ajuntou ao Cristo vivo. Nossa prova experimental de Sua plenitude é que Cristo é tudo para nós, e devemos estar em guarda contra qualquer exposição de Sua obra e glória que possa por um momento excluir estes fatos. Mas não devemos somente estar alertas; devemos nos regozijar na idéia de que a poderosa e infindável obra do Espírito está para sempre completa sob aquele campo sagrado, Cristo Jesus. E todos os dias devemos fazer uso do interno Doador de Vida para fazer por nós a Sua própria e característica obra; para nos mostrar “nosso Rei em Sua beleza”, e ‘encher com Ele nossa fonte de pensamento e vontade’.

Autor: H.C.G. Moule
Extraído do comentário do Bispo Moule sobre “A Epístola aos Romanos”.

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