Provai os Espiritos - I Jo 4:1-3

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A Igreja hoje confronta-se com uma inundação de manifestações sobrenaturais. Movimentos espirituais tremendo estão surgindo em todas as partes do mundo. Repentinamente o discípulo pode individualmente, confrontar-se, com o sobrenatural. Conseqüentemente é impossível evitar um grave dilema: Se assumimos que tudo quanto é sobre-humano é Divino ou pelo menos bom, corremos o risco de cair no abraço do Anticristo (II Ts 2:9). Se por outro lado rejeitamos o sobrenatural por considerá-lo necessariamente mal, corremos o risco de condenar como satânicos, milagres que verdadeiramente procede de Deus. Envolvidos como estamos, queiramos ou não, nos últimos conflitos entre Céu e Inferno, a descoberta de um critério que permita distinguir o milagre Divino do satânico, torna-se de importância suprema.


Ser Sincero é Suficiente?

Além disso é certo que a graça sozinha não é critério suficiente. Apesar da reconhecida devoção, sinceridade e oração, Deus não tem evitado que crentes caiam em erros graves no campo da doutrina; por que devemos esperar que Ele torne impossível errarmos no tocante aos dons miraculosos, pelo fato de termos a devoção, a sinceridade e a oração como fundamento? Pois, se essa expectativa for verdadeira como Dean Goode observa com precisão, “ela, de uma vez, descristianiza todos, exceto aqueles que recebem os ‘dons’. Ora, se Deus não permitira que nenhum cristão verdadeiro seja confundido nessa questão, então segue-se que, se esses são realmente os ‘dons extraordinários do Espírito’, aqueles que não receberam não podem ser cristãos verdadeiros” (Modern Claims to the Gifts of the Spirit, pg. 250). A Escritura não apresenta em lugar algum a santidade de vida ou a sinceridade de coração, como substitutos para testes verbais claros ou como sendo, em si mesmos, testes para o sobrenatural.

Pois a história tem demonstrado o perigo. Provavelmente nenhum filho de Deus jamais acolheu um espírito enganador, sem primeiro submetê-lo a algum teste. Mesmo assim, às margens da história estão espalhados os destroços da sedução sobrenatural. Repetidamente os discípulos têm, em vão, confiado naquilo que não constitui teste: sua posição, sua santidade, experiência, invocação do Sangue, entre outros, ao invés de confiar no único critério dado por Deus: a aplicação daquela parte da Sua Palavra, que se relaciona com um visitante do mundo invisível. Espíritos e mais espíritos têm escapado dos testes concebidos por aqueles a quem eles têm subjugado com as mais monstruosas alegações.


Exemplos de Engano

Esta foi a queda do Montanismo: “Não sou anjo nem embaixador” disse o espírito que enganou Montanus o fundador do Montanismo “mas EU, o Senhor Deus, o Pai, estou presente” (Dean Goode’s Modern Claims to the Gifts of the Spirit, pg. 109). Esta foi a queda do Irvinganismo: “Nada pode distinguir os espíritos, exceto um coração bom e sincero que discerne entre o bem e o mal”, disse Edward Irving (Life of Edward Irving, Mrs. Oliphant). “Ninguém jamais testou o espírito que estava em mim”, disse o Sr. Baxter, profeta do Irvinganismo, após ter sido liberto do Enganador (Narrative of Facts, pg 131). Esta foi a queda dos espiritualistas. Para Stainton Moses, um ex-clérigo, eis o que diziam os seus familiares com os quais ele se confraternizou (em seções mediúnicas) por mais de trinta anos: “pregamos um evangelho mais nobre, revelando um deus muito mais divino que você já havia concebido antes” (Spirit Teaching, pg. 207). Sobre o Dr. Monk, um médium famoso, que havia sido no passado um pastor Batista caiu um espírito com poder sobrenatural enquanto ele pregava. Esta foi a queda dos Mórmons: “Eu sou Jesus Cristo o Pai e o Filho”, disse o espírito que escreveu o livro de Mormom. Esta foi a queda do Príncipe de Agapemone, que fora no passado um clérigo evangélico ardoroso e dedicado. Ele declarou sobre a direção do espírito que o controlava, e a quem erroneamente tomou pelo Espírito Santo: “em mim vocês vêm Cristo em carne; por mim e em mim Deus redimiu toda carne da morte” (Hepworth Dixson, Spiritual Wives, vol 1, pg. 272). Esta tem sido também a queda de muitos lideres cristãos modernos. Declarou o Dr. Parker: “Oro à minha esposa todos os dias. Nunca venho para o trabalho sem pedir a ela que venha comigo; e ela realmente vem. Nunca venho a este lugar sem que ela venha comigo” (Review of Reviews, Janeiro, 1902). Mais grave ainda é a declaração feita pelo Dr. R. J. Campbell: “Estou consciente da presença de alguém no invisível misterioso, neste momento. Quem é? Sempre acreditei que fosse Jesus. Não é uma abstração vaga, mas um ser definido, vivo e pessoal. Trabalho sobre suas ordens. Estou errado em acreditar que seja Jesus? Se assim for, terei sido iludido a fazer muitas coisas as quais nunca teria tentado de outra forma. Alguém do mundo espiritual esta me direcionando. Se não é Jesus, quem será? Para mim é uma coisa incrível, impossível de se aceitar, que possa ser outra pessoa” (Christian Commonwealth, 30 Nov. 1910).


O Dom de Discernir os Espíritos

Nenhuma escravidão que se possa imaginar, pode ser mais horrível do que a aceitação de um espírito maligno, tomando-o pelo Espírito de Deus. Talvez nenhum perigo seja mais temível nos últimos dias (Mt 24:24), e, provavelmente nenhum filho de Deus já tenha acolhido algum espírito enganador, sem tê-lo submetido a testes; mas estes eram seus próprios testes e não os testes de Deus. Nem mesmo nós nos encontramos na posição de possuidores de algum poder infalível de discernimento dentro de nós. Um único fato é suficiente para desacreditar decisivamente qualquer poder de discernimento nato em um discípulo: entre os nove dons do Espírito Santo aparece o dom de “discernimento de espírito” (I Co 12:10). Isso quer dizer que nem mesmo os mais agraciados com dons na Igreja, na época dos Apóstolos, podiam infalivelmente distinguir um espírito de outro, a menos que possuíssem este dom especial. Assim sendo, muito menos o podemos nós, destituídos como estamos de todo milagre e inspiração. Na proteção clara e inspirada da Escritura deve estar nossa única segurança possível; e, duvidar, desconsiderar ou negar tal proteção Divina, uma vez descobertas, enquanto apoiamos em nossos próprios poderes para desmascarar o mais sutil inimigo dos seres humanos, é lançar fora a espada e lutar usando a bainha. Porque o Espírito Santo pode vir sobre um ímpio, como aconteceu a Balaão e um espírito maligno pode vir sobre um homem santo, pois os profetas, agraciados com o dom de discernir os espírito, eram instruídos a se assentar lado a lado e fazer a distinção (I Co 14:29).


Os Três Testes

É verdade que existem dois testes gerais, ambos doutrinários (outro evangelho, Gl 1:8; Jesus veio em carne, II Jo 7), e um encontro repentino com um espírito exige um teste decisivo, e este é conclusivamente fornecido em I Jo 4:1-3. (Estes testes substituem aqueles dados através da Lei: DT 13:1-3; Jr 28:9. Os testes nos Evangelhos e Gálatas são peculiarmente precisos onde houver suspeita de espíritos malignos, ainda que não haja manifestações sobrenaturais). Aqui está a nossa proteção definitiva. (Vou acrescentar algumas inferências óbvias entre parênteses, sobre o texto de I Jo 4:1-3):

Amados (os únicos qualificados a fazer o teste, Lc 10:19), não creiam em todos os espíritos (pois a fé em um espírito pode ser mortal), mas provem os espírito (porque espíritos tanto do céu quanto do inferno podem se manifestar a qualquer momento), se eles são de Deus. Porque muitos falsos profetas (homens realmente inspirados, porém, pelos demônios, os quais são na verdade médiuns) estão no mundo. Por meio disso (como critério, dado pelo Senhor) conheçam o Espírito de Deus (de modo que os outros “espíritos” mencionados são também seres pessoais): Todo espírito (a quem se deve dirigir diretamente, deixando de lado a pessoa do profeta – Atos 16:16) que confesse (em resposta ao desafio) que Jesus Cristo veio em carne (teste este nunca antes dado, e, por isso, nunca antes utilizado) é de Deus (é verdade que durante a Sua vida terrena, os demônios confessaram que nosso Senhor era o Santo de Deus, mas (1) isso não aconteceu como resposta ao teste, ao passo que Deus agora ordena a colocação de um desafio direto para cada espírito que se comunicar; (2) É Jesus como MESSIAS, o Cristo humano, não somente como Filho de Deus, que os poderes invisíveis são chamados a confessar; (3) Isso ocorreu antes que estes testes tivessem sido dado à igreja, e, desta forma, presumidamente, antes que uma proibição à evasão tivesse sido estabelecida sobre o mundo invisível; e (4) Seja por coação ou sagacidade, é fato comprovado que os espíritos imundos, deste modo, infalivelmente se revelam desde a ressurreição de nosso Senhor); e todo espírito que não confesse Jesus (silenciar-se ou esquivar-se habilmente é tão fatal quanto a negação) não é de Deus (é natural que uma alma sincera evite submeter a teste o que possa ser provas de ser o Próprio Espírito Santo. Mas, a passagem ordena isso e verdadeiramente nos revela o Espírito depois dEle ter sido testado. “Por meio disso (depois de aplicado o teste) conheçam o Espírito de Deus).


A Segurança do Teste

A importância deste teste é impossível de se exagerar. A Palavra de Deus aqui se responsabiliza pessoalmente pelo resultado: Se evasão ou dissimulação por parte dos demônios fosse possível, não somente uma resposta do espírito provaria não ser critério, mas a passagem toda se tornaria uma cerca apodrecida às bordas de um precipício, tornando-se mais perigosa para alguém que se debruçasse sobre ela, do que se não estivesse lá. É critério infalível. Mas várias condições subentendidas no contexto necessitam observação mais cuidadosa. (1) A Escritura não oferece base, tanto que eu esteja informado, para a suposição de que este teste seja eficaz nas mãos de não convertidos. O teste, assim como a invocação do nome do Senhor (Mc 9:39), não é um encantamento mágico que possa ser usado por qualquer um (At 19: 13-16), mas uma incumbência solene confiada ao povo de Deus, para proteção do Seu rebanho. (2) É um teste para o espírito, e não para o profeta. Assim sendo, nunca deve ser aplicado, a menos que o sobrenatural esteja obviamente presente; e o espírito deve ser compelido a responder e não o profeta. Estamos lidando com um adversário sutil e inescrupuloso (assim, em nossos dias, todos os que declaram ter dons sobrenaturais vindos de Deus, deveriam responder a duas perguntas: (1) O espírito foi isolado primeiro entre vocês depois um “sim” ou “não” foi exigido à pergunta “Jesus Cristo veio em carne? (2) Se a resposta for positiva, como foi que vocês isolaram o espírito de forma efetiva, de modo a estarem certos e capazes de assegurar a outros, que a resposta veio do espírito e não da pessoa que ele possuía naquele momento? Sem que estas perguntas sejam apresentadas, (perguntadas estas nunca respondidas satisfatoriamente entre as seitas espíritas dos nossos dias), qualquer um que consista entrar no invisível, entra de olhos vendados no domínio das potestades que ele não sabe discernir. Mais ainda: você que possui o dom, sempre que pronuncia as palavras “Jesus é Senhor” (estas palavras exatamente e não outras, I Co 12:3) pela capacidade sobrenatural de expressão, elas são pronunciadas em condições que deixam dúvidas de que ela falou (isto é, a capacidade sobrenatural) e não você? Nenhum caso autêntico de resposta a estes testes, com testemunhos públicos e provas foi até agora dado à igreja de Cristo; nenhum caso sem exame pormenorizado também; nada além do que tem ocorrido no pseudo-espiritismo ao longo das eras, rumores não comprovados. (3) O sistema doutrinário e espontâneo de um espírito (como em Atos 16:17) não é critério; um espírito pode ser tão ortodoxo na confissão geral quanto um humano hipócrita. Somente uma confissão em resposta a um desafio direto pode trazer à tona sua real origem. João não diz: “creiam em todos os espíritos”, como se todo o sobrenatural fosse sempre Divino; nem disse também: não creiam em espírito nenhum”, como se comunicações miraculosas de Deus agora fossem impossíveis; mas, “não creiam em todos os espíritos”, porque um espírito, maligno ou não, pode se manifestar a qualquer momento.


Demônios Falam em Línguas

Além disso, o teste comprovadamente funciona. Línguas sobrenaturais irromperam há oitenta anos atrás na família de um clérigo em Gloucestershire; uma emissão de sons sobre-humanos, através de um menino de sete anos, que governava a casa como se fosse a voz de Deus. Finalmente surgiu uma suspeita na mente daquele pastor e o seu superior lhe sugeriu que aplicasse o teste. Naquele momento o menino gritou: “Não teste os espíritos!, não teste os espíritos”! De modo solene, o espírito cujo protesto foi sabiamente ignorado, foi indagado se Jesus Cristo veio em carne, o que ele prontamente negou. Depois de ser silenciado pelo pastor, o espírito partiu e nunca mais retornou.


Espíritos Familiares

Outro caso concreto pode ser mencionado. Há alguns anos atrás, em Norwick, um jovem informou a um conhecido meu, muito dedicado ao Senhor, que durante uma sessão espírita ele havia se comunicado com sua avó. “Sua avó, a quem eu conheci muito bem, tinha um caráter adorável e era uma mulher santa,” respondeu o velho. “Meu conselho é que você volte e pergunte a ela: ‘Jesus Cristo veio em carne?’” Poucos dias depois, o jovem, terrivelmente abalado, retornou dizendo: “A resposta imediata do espírito foi ‘NÃO’, seguindo-se de uma torrente de blasfêmias. É um espírito do inferno!”


A Experiência do Autor

Posso acrescentar minha própria experiência. Há mais ou menos vinte anos atrás, eu, juntamente com alguém que hoje é Cônego Anglicano e outro que é missionário no interior da China e vários formados, aplicamos o teste em meu alojamento em Cambridge. Foi perguntado ao espírito, depois de se ter certeza de que um espírito estava realmente presente e dele ter sido totalmente isolado: “Você esta disposto a se comunicar conosco a respeito da encarnação de Jesus Cristo?” Ele respondeu com um enfático “sim”. Perguntamos então a ele: “Jesus Cristo veio em carne?” A resposta foi um NÃO ainda mais enfático. A emoção tremenda que senti frente àquela terrível descoberta, nunca sairá da minha memória. Portanto, não há a necessidade de um bebê em Cristo ser mais enganado do que um crente maduro na fé, caso ele faça uma aplicação honesta do teste. Porque o poder revelador reside, não no grau de santidade do inquiridor, mas na infalibilidade da Palavra! “Amados”(de qualquer idade, maturidade ou circunstância), “provem os espíritos.”


Jesus é Senhor ou Anátema?

O segundo teste supremo para o sobrenatural aparece no inicio do tratado de Paulo, sobre os dons miraculosos. (Vou acrescentar algumas inferências óbvias entre parênteses, ao texto de I Co 12:1-3):

“A respeito dos dons espirituais (ou, os inspirados: a maior parte dos críticos modernos decide a favor do sentido ‘homens inspirados’ – Godet. O versículo 3 também determina isso. Além do mais, “os testes dados não se aplicarão a todos os casos de dom espiritual, como por exemplo o dom de cura, e outros que eram dons de ação, mas apenas aos dons de palavra inspirada” – Govett), não quero, irmãos, que sejais ignorantes (pois tal ignorância é perigosa). Sabeis que outrora, quando éreis gentios, vos deixastes conduzir (seduzidos por frenesis demoníacos e pelo engano, “perseguidos por um flagelo de demônios malignos”–Justin) aos ídolos mudos (para os quais os demônios conduzem) conforme (pois inspirações pitônicas (espíritos adivinhadores) tomam formas variadas) éreis conduzidos. Portanto, dou a vocês (como uma revelação especial) a compreender (de maneira a diferenciar sem risco de erro entre o que recebe dom de Deus e o que recebe dom do Diabo) que ninguém que fala pelo Espírito de Deus (isto é, nenhum homem inspirado) afirma: Anátema Jesus! Por outro lado, ninguém (isto é, nenhum homem inspirado) pode dizer: Jesus é Senhor! senão pelo Espírito Santo (não ‘Cristo’ apenas; aqui Paulo diz Jesus e não Cristo. Sua preocupação é com a Pessoa histórica que viveu na Terra sob o nome de Jesus. É com Ele que toda a inspiração verdadeira esta inseparavelmente ligada. É dEle que toda a inspiração carnal e diabólica se afasta. Os Gnósticos tinham por habito mandar que aqueles que entravam em suas igrejas amaldiçoassem a Jesus (Godet). A ausência do termo “Senhor” antes de “Jesus”, marca tão evidente na literatura das Línguas Estranhas, e creio eu, invariável em suas articulações “inspiradas”, é muito significativa. “Àquele que me usou”, diz numa carta um conhecido meu que possui o dom de línguas, “eu consciente e voluntariamente me submeti à sua utilização, e ele me revelou Jesus, Filho de Deus, que veio em carne, o Espírito fala com força dentro de mim na língua (estranha), louvando a Jesus, Filho de Deus, que veio em carne.” Aqui está uma pessoa escrevendo sob o poder de um espírito; todavia, embora nosso Senhor seja frequentemente mencionado, nunca o é como Senhor, e o louvor dado ao Senhor pelo ser – espírito é totalmente distinto da confissão requerida, ficando longe também de ser uma resposta a um desafio direto – I Co 12:1-3).


O Teste é para o Espírito não para o Profeta

Nenhum dom é mais imitado por Satanás, ou tem sido mais imitado através dos tempos, do que o mais elementar de todos os dons (I Co 14:19): o dom de Línguas. Somente quando a articulação for evidentemente sobrenatural, é que o teste pode ser aplicado de forma correta e eficaz; mas ele é inconfundível e decisivo. Os órgãos da articulação de sons, em um homem inspirado, passaram em parte do seu controle para o espírito controlador (mas, nos casos Divinos, apenas parcialmente; isto é, enquanto o Espírito Santo era responsável pelo conteúdo, o profeta era responsável pela ocasião e duração da declaração, pois “os espíritos dos profetas ESTÃO SUJEITOS aos profetas” I Co 14:32. Um profeta devia parar, e podia parar, caso uma revelação repentina fosse dada a outro profeta (I Co 14:30). A impossibilidade de se verificar o que diz o profeta é sempre um sintoma da inspiração satânica). Portanto, nenhum homem (esta é a revelação de Deus), desde que um poder sobrenatural esteja operando através dele, controlando seus órgãos de expressão, pode dizer “Jesus é anátema”, se for um espírito bom; nem pode dizer “Jesus é Senhor” se for um espírito maligno. Repetindo: o espírito é que deve ser testado e não o homem. Mas, um problema prático, infinitamente importante, permanece. O que faremos se o sobrenatural nos vier em uma forma que não possa ser testado, como por exemplo, uma “língua” que terá o cuidado de não responder em nossa própria língua? “O teste de I João 4”, alguém que fala línguas me escreveu, “nunca poderia ser aplicado a mim, pois quando o poder sobrenatural está sobre mim, as expressões sempre são uma língua estranha; e isso é uma experiência constante.” Um coração devotado à Palavra de Deus só pode ter uma resposta: Nenhum cristão tem qualquer direito de receber o sobrenatural ou um espírito de outro mundo, se não fizer a aplicação destes testes de Deus, de modo solene e eficaz. O perigo crítico jaz aqui: um espírito enganador se apresenta num disfarce que não pode ser testado, e, desse modo, persuade o recipiente a aceitar esse arranjoe fazer a suposição horrivelmente tenebrosa, de que o espírito é o Espírito Santo. Mas o Próprio Espírito nos deu os testes; assim sendo, Ele não Se ofenderá com sua aplicação respeitosa. É ordem dEle que tais testes sejam aplicados. Quando Ele vem, ou então um espírito bom ou anjo com Sua permissão vem, Ele indicará Seus próprios testes. Por isso, um espírito que evitá-los, procede do Abismo. Um espírito não testado deve ser afastado e banido a qualquer custo.


O Pecado Imperdoável

“É de suma importância,”
nas palavras do Sr. G. H. Pember, “que o pleno significado dessa declaração (I Co 12:1-3) seja entendido pelos crentes dos nossos dias. Porque novamente as manifestações demoníacas estão se multiplicando entre nós, e isso com uma sutileza suficiente para enganar qualquer um que negligencie a aplicação dos testes prescritos”. A falha ou a recusa obstinada em usar os testes de forma cuidadosa e solene, pode, em si mesma, ser nada mais do que um ardil, um ataque maligno do Príncipe das Trevas. A recusa em fazê-lo aparece já no início do Segundo Século: “E a todo profeta que fala no Espírito,“ diz o Didaque, “não deveis testar ou provar; pois todo pecado será perdoado, mas este não será perdoado.” Exatamente do mesmo modo, mil e oitocentos anos mais tarde, foi declarado pela Sra. Woodworth Etter: “Constitui pecado imperdoável, atribuir deliberadamente qualquer umas das obras maravilhosas do Espírito Santo ao Diabo, Nunca houve, desde o tempo das igrejas primitivas, tanto perigo das pessoas cometerem o pecado imperdoável como há hoje, desde que o fogo Pentecostal envolveu a Terra” (Signs and Wonders, pg. 138). Confundir os milagres de Deus, realizados através do ser humano em qualquer época ou nação, com milagres de Satanás, seria verdadeiramente uma tragédia; mas imaginar que este fosse o pecado para qual não haverá perdão é totalmente errôneo, e, (usado como a Sra. Woodworth Etter o faz), é uma coação da pior espécie. Porque atribuir a Satanás os milagres operados do nosso Senhor , e por Ele somente, evidenciados por seu caráter imaculado e Sua vida perfeita, é o que constitui a blasfêmia imperdoável: “Porque eles disseram: Ele tem um espírito imundo” (Mc 3:30). Não há provas, tanto quanto eu conheça, de que blasfêmia imperdoável tenha sido cometida, desde que nosso Senhor a expôs nos lábios dos Fariseus daquela época.

“Eu louvo a Deus”, diz um líder do Movimento de Línguas (Estranhas–Tradutor) na Inglaterra, “porque o Espírito que habita em nós não necessita ser isolado nem questionado para evidenciar aquele fato (que Jesus veio em carne).” Esta é uma negação macabra! Um manifesto coletivo de um grupo de pastores na Alemanha, declarou o seguinte em 1908: “Declaramos o grave fato de que no recente movimento de Línguas em Cassel e outros lugares, cristãos conhecidos receberam dom de profecia e línguas e não eram do Espírito Santo. Devemos confessar que falhamos numa medida altamente deplorável, porque não fizemos uso do teste “provai os espíritos,” conforme o mandamento da Palavra de Deus. Aceitamos sobre nós a culpa e a censura por causa dessa deficiência, como também nas esferas mais amplas da Igreja Cristã.”

Por causa dessa culpável, inexplicável e única negligência, surgiram o Montanismo, os Camisards, o Irvinganismo, o Espiritualismo e o moderno Movimento das Línguas. Dessa mesma negligência deverá surgir a grande apostasia!

“O Espírito diz expressamente que em tempos vindouros alguns deverão abandonar a sua fé, dando ouvidos a espíritos enganadores” (I Tm 4:1)

“Amados, provem os espírito” (I Jo 4:1)

“Não desprezeis as profecias; testai todas as coisas” (I Ts 5:20)

 Autor: D. M. Panton
Traduzido por Delcio Meireles


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Idolatria Cristã
Provai os Espiritos - I Jo 4:1-3