Ajuda Sobrenatural

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“Estando as portas trancadas, veio Jesus, pôs-se no meio, e disse-lhes: Paz seja convosco!”

Quando Cristo vem para a alma, nem sempre as portas do mundo estão fechadas. Para os próprios apóstolos, no início, Ele chegou através de portas abertas. Ele os alcançou no decorrer dos seus afazeres diários. Ele se encontrou com Pedro perto do mar, mas com Mateus na coletoria de impostos, com Tomé no exercício do seu intelecto. A maioria de seus seguidores foi encontrada em um ambiente agradável – Natanael, debaixo de uma árvore, Zaqueu no topo de uma outra, Marta, Maria e Lázaro no círculo familiar, os pastores vigiando os rebanhos, os astrônomos observando uma estrela, os homens de Cana no regozijo de núpcias. Existem vezes, no entanto, em que Cristo vem, não através de portas da vida abertas, mas através das portas fechadas – quando a figueira não floresce, quando não há rebanho no aprisco, quando os limites de Betânia não mais se expandem, quando os tesouros trazidos do Oriente já estão esgotados, quando a vinha nega o seu fruto à Cana e a alegria nupcial silencia-se. Mesmo em tempos assim, com portas fechadas, a paz de Cristo freqüentemente penetra a alma. Às vezes você ouve alguém dizer: “Não consigo me sentir animado; não sei o que é; mas apesar de todas as portas estarem abertas para mim, ainda sinto minha vida pobre e sem sentido.” Existe, porém, uma outra experiência totalmente oposta. Existem épocas em que você ouve, “Não consigo me sentir abatido; não sei o que me mantém em pé; todas as portas da vida estão fechadas e no entanto eu não cesso o meu cântico.” “É mais um cântico do que um elevar-se até as alturas; é mais um manter-se de pé do que um voar sobre as asas; é mais um sentimento de paz do que um ser levando uma emoção forte”. Em tais momentos de portas fechadas, não acho que elas estejam abertas; simplesmente tenho consciência de uma calorosa chamada interior, que não me deixa sentir desolado. De onde vem a chama não sei. Os olhos não vêem seus gravetos, os ouvidos não ouvem seus estalos; o coração não faz idéia do combustível que a sustenta. Ela aquece sem lenha, ela conforta sem carvão, ela esquenta sem mãos, ela subsiste sem sustento, ela se renova sem reabastecer, ela perdura sem qualquer labuta humana; ela é a paz de Deus.

Ó Tu que trouxeste uma vida de ressurreição para um mundo com portas fechadas! Também eu, quando minhas portas estão cerradas, posso ser alcançado por Ti. Existem dias em que todas as minhas alamedas estão fechadas. Não há entradas pela frente – o futuro está nublado. Não há entradas pelos fundos – a retrospectiva é sombria. Não há entradas pelas laterais – a vida é adversa. Não há entradas pelo teto – como o patriarca Jó, perdi a visão do céu aberto. Homens observam e dizem, “Uma casa condenada, uma casa selada, uma casa em que seu morador deve morrer”. No entanto, em uma casa assim, a Tua vida de ressurreição pode habitar. Tu podes penetrar sem portas. Tua paz pode pisar onde não existem caminhos; Teu descanso pode viajar por onde não há estradas. Há uma luz a qual surpreende – ela brilha na escuridão. Tens pássaros que gorjeiam onde não há verão; tens flores que florescem onde não há sol; tens faces que sorriem onde não há qualquer fortuna aparente. Envia-me, ó Senhor, Teu descanso que excede o entendimento – Teu imenso e excessivo descanso! Alvorece em minha escuridão! Brilha em minha melancolia! Sopra em minha lareira sem brasas! Concede-me firmeza em meio à tempestades! Fortalece-me na noite! Dá-me coragem nas perdas da batalha! Concede-me ânimo no frio, aconchego no inverno! Dá-me leveza apesar da minha carga! Prepara-me um banquete na presença dos meus inimigos! Permite que o cordeiro se deite com o leão – permite que a calma subsista em meio ao rugir do mundo! Então saberei que a Tua paz não advém de coisas terrenas.

Autor: George Matheson
Extraído da revista, À Maturidade, número 28 – Outono de 1996


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