Não Chores!

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Chorar é um dos primeiros atos que realizamos na vida. Nascemos chorando. Nessa fase de nossa existência é justamente o choro que nos permitirá sobreviver. Há mães que conseguem distinguir a dor que seu bebê tem – seja cólica, dor de ouvido, ou fome – através do choro.

Ainda na infância choramos quando caímos, choramos quando estamos sozinhos, choramos de medo, saudade ou desamparo. Crianças aprendem também que chorar ajuda a chamar a atenção sobre elas.

A Bíblia diz que o nosso choro é ouvido por Deus. Foi por causa do gemido de seu povo cativo no Egito que Ele agiu para libertá-lo (Ex 2.24). É digno de menção o gesto do rei Ezequias quando soube que possuía uma enfermidade mortal, e teria poucos dias de vida. Ele não teve dúvidas: orou e “chorou muitíssimo” (Is 38.3). No popular, “abriu um berreiro”. Deus ouviu o seu choro e viu suas lágrimas, e concedeu-lhe mais 15 anos de vida.

 

Quando os filisteus levaram cativas as mulheres de Israel Davi e o povo “choraram até não terem mais forças para chorar” (1Sm 30.4). Deus sabe porque choramos. Ele conhece o nosso gemido, nem precisa articular palavras.

Desconfio que tem um lugar no céu onde o Eterno recolhe todas as lágrimas derramadas por seus filhos e filhas: “recolheste as minhas lágrimas no teu odre, estão todas inscritas no teu livro” (Sl 56.8).

Jesus falou que seriam bem-aventurados os que choram, porque Ele haveria de consolá-los. A bíblia registra pelo menos duas ocasiões em que o próprio Jesus chorou: ao saber da morte de seu amigo Lázaro (Jo 11.35) e quando entrou em Jerusalém e viu o mal que viria sobre aquela cidade (Lc 19.41).

Lágrimas têm poder curativo, limpam a alma. Glândulas endócrinas liberam noradrenalina e serotonina produzindo uma melhora de estado geral do corpo.

Uma pergunta se faz necessária: todo choro é justificável?

Realmente haverá os dias maus em que será tempo de chorar, mas com certeza ele não será perpetuado indefinidamente; há tempo de prantear e haverá tempo de saltar de alegria (Ec 3.4). Portanto, o choro não pode ser uma “marca” do cristão. Deus promete que o choro pode durar a noite inteira, mas Ele nos fará sorrir pela manhã (Sl 30.5).

Certamente não podemos ser como Jacó que quando soube da morte de seu filho José, “recusou-se a ser consolado” (Gn 37.35). O choro constante do crente pode indicar um problema, uma inadequação, uma ausência de limite. Vejamos:

1) Não é para chorar por qualquer coisa. Avalie se realmente é motivo de chorar. O profeta Jonas ficou desgostoso com Deus, e pediu a Ele para morrer, pois não valia mais a pena viver. O motivo? Deus não destruiu a Nínive e não fez o mal que prometera aos ninivitas. Isso é motivo para chorar? Para Jonas era. Mas vem Deus e lhe pergunta: “É razoável essa tua ira?”. Ou seja: “Pare com isso, rapaz, isso não é motivo de desgosto”.

2) Não chore além dos limites. Alguém o feriu? Doeu? Chore mesmo. Mas cuidado, não exagere sua dor. Na vida, a todo momento seremos feridos, e por uma razão muito simples: as pessoas não existem para nos satisfazer. Muitas nos farão chorar. Mesmo aquelas que nos amam. E por uma simples razão: também fazemos chorar a quem amamos. Foi ferido? Chore o tempo necessário para digerir a dor, mas depois enxugue as lágrimas.

Davi sabia quando parar. O filho que tivera com Bate-Saba adoeceu gravemente. O rei busca a Deus, jejua e passa as noites prostrado em terra, lamentando e chorando pela criança. Ao sétimo dia morreu a criança e seus servos temiam informá-lo. O rei percebe os cochichos e pergunta se o seu filho morrera. Eles responderam: Morreu. Surpreendentemente Davi levantou, lavou-se, mudou de vestes, entrou no templo para adorar, depois voltou para sua casa e pediu pão (2Sm 12.20). Ninguém entendeu nada! Davi, então explica: “Enquanto a criança era viva, jejuei e chorei, porque dizia: quem sabe o senhor se compadecerá de mim. Porém, agora que é morta, poderei eu fazê-la voltar? Um dia eu irei a ela, porém ela não voltará para mim”. Que ensinamento tremendo. Davi estava dizendo: é hora de voltar à vida!

3) A vida não tem sido justa para com você? Conheço muita gente que a vida tem sido injusta, mas que aprendeu a sorrir. Habacuque ensina: “ainda que a figueira não floresça”, o Senhor será minha alegria. Nada de choro.

Um dia Jesus passava pela cidade de Naim quando o enterro do filho único de uma viúva passou por ele. Certamente havia uma grande comoção, mas Jesus vendo o sofrimento da mãe disse-lhe: “Não chores!” (Lc 7.13). Fico me perguntando: como não chorar numa situação dessas? Hoje em dia muitas mães também choram por seus filhos, sendo levados “mortos” por um cortejo de falsos amigos e pecadores. Jesus também se compadece delas e concede-lhes sua palavra de consolação e a promessa de que – a despeito da morte – Ele tem pleno domínio da situação. Só Ele transforma cortejos fúnebres em gritos de louvor.

Sim, somente Deus pode converter o meu pranto em danças, de transformar a minha veste de lamento em veste de alegria (Salmo 30.11).

Daniel Rocha, pastor
dadaro@uol.com.br

Enviado em 13/03/2012


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