A Promessa do Espírito Santo Recebida pela Fé

Artigo exibido: 3485 vezes

Mesmo esse aspecto do “esperar” pode se tornar um perigo, porque ele coloca diante do crente algo no futuro que pode cegá-lo para a atual operação de Deus. A verdade é que a atitude mais segura para todo filho de Deus é a de receber pela simples fé tudo o que Deus promete em resposta à necessidade e depois confiar nEle com fé como de criança, para realizar aquelas coisas na vida do modo que Ele desejar. O equipamento para testemunhar é tão verdadeiro para todo o crente, como é a morte de Cristo no Calvário e tudo o que ele significa. O mesmo é verdade com respeito à união com Cristo na ressurreição e o recebimento do dom do Espírito Santo (João 20:22 – para a Sra. Penn Lewis o Espírito de Habitação foi concedido nessa ocasião). É verdade que a fé não é conhecimento, mas existe um conhecimento que é uma necessidade absoluta antes que a fé possa ser exercitada. Não podemos receber o que não vemos ou crer em algo que ignoramos. Por isso, em cada caso, a compreensão do crente governa a medida da experiência e nenhuma delas crente algum conheceu em profundidade. Calvário! Ressurreição! Ascensão! Pentecostes! Cada uma deve ser apreendida em sequência em profundezas cada vez maiores, à medida que a alma avança com Deus.

Todos os tratos dos apóstolos com aqueles que não haviam recebido o Espírito Santo, conforme o registro do livro de Atos mostra que eles não consideraram obrigatória a ordem do Senhor para eles em Lucas 24:49, depois que o Espirito Santo veio. Pedro não disse à multidão no dia de Pentecostes: “Ficai como nós ficamos e recebereis”. Nem  em Samaria quando Pedro e João viram que os convertidos de Filipe não haviam recebido o Espírito Santo: “Os quais, descendo para lá, oraram por eles para que recebessem o Espírito Santo, pois não haviam ainda descido sobre nenhum deles, mas somente haviam sido batizados em o nome do Senhor Jesus” (At 8:15-16).

O apóstolo Paulo nem uma vez mandou que os crentes “esperassem”, mas mostrou a posição deles para com o Calvário e lhes disse que deviam receber a promessa do Espírito pela fé: “Para que a benção de Abrãao chegasse aos gentios, em Jesus Cristo, a fim de que recebêssemos, pela fé, o Espírito prometido” (Gl 3:14). Lendo o ensino total dos Evangelhos, de Atos e das Epístolas num resumo mais geral, vemos que a palavra para nós que vivemos na Dispensação do Espírito não é “esperar”, mas “recebei”.

Ao dizer isso devemos nos lembrar que o lado subjetivo não esta sendo considerado agora, mas apenas o ensino das Escrituras, enquanto procuramos “dividir corretamente a Palavra da Verdade” (2 Tm 2:15). Devemos ter cuidado para não ler a Palavra à luz da nossa experiência subjetiva; pelo contrário, devemos provar a experiência pela Palavra. Muitos de nós temos errado dessa forma no passado, tornando um texto tal como Lucas 24:49 e aplicando-o fora do seu lugar nas Escrituras, confundido muitas almas sequiosas que não podem entender porque existem tantos ensinamentos variados sobre o Espírito Santo e até mesmo da mensagem do Cálvario. Textos individuais tirados do seu contexto e escolhidos para serem encaixados em nossas experiências subjetivas tem sido a causa de muita confusão e aparente contradição, no que respeita o ensino de temas como estes que mencionamos.

Mas não existem muitas exortações para “esperar” no Senhor? Sim, mas usando a concordância você descobrirá que quase todas se encontram nos Salmos e indicam uma atitude interior de espera paciente por Ele e nEle, em relação a muitas coisas. No Novo Testamento o único “esperar” que encontramos é o esperar pela redenção do corpo e pela vinda do Senhor (a não ser o esperar inicial de Lucas 24:49). Nem uma vez temos o esperar pelo Espírito Santo.

A verdade é que o Espírito Santo está esperando por nós. Qualquer atraso da nossa parte em provar (1) da obra consumada do Calvário (2) do poder da vida de ressurreição (3) e do equipamento para testemunhar no poder do Espírito Santo, se deve à espera do bendito Espírito, aguardando que a verdade estale em nossas mentes e que atuemos em fé simples sobre Sua Palavra.

A Obra Preparatória
Devo repetir que, experimentalmente existe um revestimento de poder difinido em resposta à fé que assegura a Plenitude do Espírito Santo, como existe um testemunho definido do Espírito Santo para com a fé que assegura o perdão dos pecados, como a porção do crente no Calvário. Do mesmo modo que existe um livramento definido do poder do pecado e um poder vivificador de vida para a vitória em resposta à fé que assegura a morte de Cristo como a morte do crente a a vida de Cristo como sua vida. Para cada um deve haver preparação, naturalmente. O pecador deve ser convencido do pecado, e isso pode significar tempo! O crente deve estar preparado para romper com o pecado, e isso também leva tempo! Sim. E o crente que conhece a união com o Senhor Ressurreto precisa ser preparado, do modo que só o Espírito Santo sabe, para o revestimento de poder, que é sua porção do equipamento Pentecostal para o serviço. Isso também significa tempo!

O Espírito Santo é responsável por cada alma redimida. Busque e clame por Ele como o Parácleto (Consolador) e Ele mesmo te levará ao conhecimento do revestimento de poder. Nessa ocasião você será também revestido com o poder do alto e se tornará uma testemunha do Senhor Ressurreto, equipado pelo Espírito Santo.

Autora: Jessie Penn-Lewis
Traduzido por Delcio Meireles