Um Serviço sem Esgotamento

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Marta, porém, andava preocupada com muito serviço; e aproximando-se, disse: Senhor, não se te dá que minha irmã me tenha deixado servir sozinha? Dize-lhe, pois, que me ajude. Lucas 10:40

O ideal do serviço impulsionado, pelo ideal do sucesso, representa uma grande motivação no envolvimento das pessoas. Há um empenho muito forte por trás do caminho do desempenho. As pessoas ficam assoberbadas de serviços, porque buscam a aceitação, mediante a execução de tarefas, que apresentem os talentos e a qualidade de uma personalidade de sucesso. Para muitos, a maior glória, não é ter mais que os outros, mas é servir de uma maneira mais intensa que os outros. Muito serviço aparentemente desinteressado esconde no seu bojo a idéia de aprovação, e busca resultados de êxito, que comprovem a importância e grandeza de seus ideais.

Marta se encontrava ocupada com muitas tarefas, preocupada com os resultados favoráveis e implicada com a atitude de sua irmã. Normalmente as pessoas que estão envolvidas com o desempenho de suas vidas, se complicam em muitas empreitadas, se confundem nos labirintos das inquietações, e se intrometem inadequadamente na vida alheia. O excesso de ocupação, pressionado pelo peso da preocupação e coagido pela implicação do comportamento dos outros, causa um desgaste profundo na personalidade e uma impropriedade virtual no humor. Marta se encontrava estressada em virtude de seu trabalho motivado pela expressão do sucesso a todo custo, e pela atitude irritada do seu vitimismo.

Muitos de nós vivemos assim: nos ocupamos em muitos trabalhos; nos preocupamos com seu comprimento; e nos chateamos com as atitudes e reações indiferentes das pessoas, diante dos papéis que estamos desenvolvendo. Assim, o nosso serviço, atrelado às metas do sucesso, se torna um fardo extremamente pesado e insuportável. É por isso que muitos de nós acabam embaraçados na crítica amargurada e sucumbem na depressão estressante.

O serviço verdadeiro é aquele que é executado sem a coação do êxito. Nosso alvo deve ser serviço, não sucesso. Se trabalhamos pela alegria do serviço, não nos preocupamos com os alardes dos seus efeitos. A impressão causada pela opressão dos resultados acaba na depressão de espírito e na repressão dos relacionamentos. Aqueles que estão impulsionados pela pressão do desempenho terminam realizando um serviço obrigado, tenso e murmurante. Neste clima, o trabalho se constitui numa escravatura, cujas grilhetas invisíveis se estampam nos sentimentos desmotivados e nas tarefas executadas sob o humor, constrangido do encargo. Nada é mais insípido do que o serviço desempenhado sob a hipoteca do dever e caucionado pela determinação do sucesso. Aquilo que você deve fazer, para que tenha sucesso e seja aceito – é um aprisionamento do espírito do serviço. Quando, pois, deres esmolas, não faças tocar trombetas diante de ti, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem vistos pelos homens. Mateus 6:2. Temos aqui um outro prisma de um serviço adequado. A busca de aprovação dos homens tem sido a causa de muitas distorções na qualidade do serviço. Mais nos preocupamos com os relatórios e opiniões, do que com a execução despretenciosa de nossas funções. Um serviço legítimo é aquele que é levado a efeito sem as exigências de uma moral externa e sem a cobrança interna de dar satisfações aos outros. Não há interesses subalternos nem recompensas embutidas na trajetória de um serviço autêntico. O servo que serve para servir, serve como servo livre e desempedido, sem as exigências dos empregados e as obrigações dos escravos. Um serviço isento das exigentes expectativas externas e incentivado pelo caráter sublime da alegria de servir, tem conseqüências extraordinárias tanto em quem o pratica como para quem é determinado. Servir sem esperar a recompensa é servir já recompensado. Servir bem sem a preocupação de dar um relatório, ou de buscar o aplauso dos outros, para o nosso serviço, é um estado de libertação que nos garante um desenvolvimento sincero e desapaixonado.

Há um pensamento do reverendo H. H. Hobbs que amplia um pouco mais a idéia do serviço. Diz ele: O mundo mede a grandeza de um homem pelo número de pessoas que o servem; enquanto que os Céus avaliam a estatura dos homens pelo número de pessoas a quem eles servem. Servir ao maior número possível sem se servir deste serviço, para desenvolver o seu prestígio. Servir sem a conotação de vítima, sem o alarde do relatório, sem esperar a recompensa, sem o manuseio dos interesses é um serviço do espírito do evangelho: Então, enquanto temos oportunidade, façamos o bem a todos, mas principalmente aos domésticos da fé. Mas, quando tu deres esmola, (e fizeres o bem), não saiba a tua mão esquerda o que fez a direita. Gálatas 6:10 e Mateus 6:3. O serviço cristão não escolhe a quem servir, não limita a quantos deve servir, nem proclama aos quatro ventos o serviço realizado.

Por fim, o serviço que traz as marcas do evangelho de Jesus Cristo, não se relaciona com a idéia de grandeza: Levantou-se também entre os discípulos uma contenda, sobre qual deles parecia ser o maior. Ao que Jesus lhes disse: Os reis dos gentios dominam sobre eles, e os que sobre eles exercem autoridade são chamados benfeitores. Mas vós não sereis assim; antes o maior entre vós seja como o mais novo; e quem governa como quem serve. Pois qual é maior: quem está à mesa, ou quem serve? Porventura não é quem está à mesa? Eu, porém, estou entre vós como quem serve. Lucas 22:24-27. Não há qualquer manifestação de orgulho ou ostentação no serviço realizado dentro do reino de Deus. Se nós nos vangloriamos dos nossos serviços é porque estes foram realizados com a finalidade de nos projetar, e isto significa claramente falta de regeneração. Só o ego vivo e ativo quer ser reconhecido. O egoísmo é a causa do serviço propalado. O engrandecimento com os serviços prestados é uma total ausência de um coração transformado. O serviço nunca pode tornar-se escravidão para aquele que ama, nem tão pouco um trampolim de lançamento. Quem serve de verdade não se serve do serviço para conseguir se ressaltar. E um ego crucificado é o único veículo de um serviço autêntico.

Autor: Glenio Fonseca Paranaguá


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