Místicos Cristãos e o Crescimento Espiritual

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Quando fui salvo, eu amava ao Senhor e tinha um grande desejo de crescer e avançar na vida cristã. Desde o começo de minha vida cristã, ocupei-me em pregar o evangelho e prestava muita atenção a minha condição interior diante do Senhor. Para mim, a vida cristã resumia-se em pregar o Evangelho; porém, após certo tempo, estava vazio interiormente. Houve, então, um despertar em meu coração e desejei progredir espiritualmente com o Senhor. Alguns irmãos sugeriram-me a leitura da autobiografia de Madame Guyon. A primeira vez que li aquele livro fiquei temeroso, porque ela sofreu muito; eu acreditava que se quisesse realmente servir e crescer na graça, teria que sofrer muito. Sua história era linda, porém me apavorava. Na época eu tinha quinze ou dezesseis anos de idade, e o mundo lá fora era cheio de atrações. Disseram-me que se quisesse ser espiritual teria de sofrer. Então, no início, não apreciei muito aquele livro, mas um irmão que realmente conhecia o Senhor disse: 'Depois de Paulo, Madame Guyon foi provavelmente a pessoa mais espiritual em toda história da Igreja; sua autobiografia é provavelmente o escrito mais espiritual de todos os tempos'. Como eu era jovem e queria ser espiritual, comecei a reler aquele livro. Fiquei impressionado por perceber que muitas irmãs queriam copiar Madame Guyon, queriam ser muito espirituais também. Passei por um período no qual acreditei que Madame Guyon era a pessoa mais espiritual depois de Paulo.

Alguns irmãos diziam: 'Se quiser ser espiritual, leia todos seus escritos, serão de grande ajuda'. Felizmente, alguns foram traduzidos para o chinês. Ela era muito espiritual, disse coisas como: 'Desejo beijar o cajado de Deus'. Essa senhora tinha características nobres. algo especial que outros não tinham. Havia algo peculiar na sua escolha da cruz. Muitos foram realmente tocados por sua história. Para mim, Madame Guyon era a máxima espiritualidade, até que fui para os Estados Unidos para continuar meus estudos. Sou muito agradecido a Deus porque, na década de 60, quando estive em Nova Iorque, tive o privilégio de conhecer o irmão Stephen Kaung. O irmão Kaung é um servo do Senhor muito rico na Palavra e me ajudou tremendamente durante quatro anos. Certa vez ele abriu sua biblioteca e disse-me: 'Pode ler o livro que quiser'. Mesmo assim perguntei-lhe que livros me aconselharia ler. Ele repetiu 'qualquer livro'. Lembrei-me de que, no passado, quando ainda morava no Oriente, achava que só determinados livros me ajudariam. Naqueles poucos anos em Nova Iorque, procurei aproveitar o máximo para aprender com o irmão Stephen Kaung. O Senhor o tem usado tremendamente em várias partes do mundo. Então lhe falei sobre Madame Guyon porque queria ouvir sua opinião. Para mim ela era o máximo; suas experiências eram as mais espirituais de todas, acreditava que seus escritos eram necessários para mim. Para minha surpresa, ele comentou: 'Entre os místicos da história da Igreja, Madame Guyon foi a menor; ela foi a menor de todos'. Fiquei surpreso com sua resposta; para mim ela havia chegado ao topo, mas o irmão Stephen Kaung discordou. Então perguntei qual era o maior e ele me disse que, entre os maiores místicos, estavam John Tauler e São João da Cruz. Então emprestou-me um livro de John Tauler o qual me tocou profundamente. Após a leitura do livro de John Tauler, comentei que achara muito interessante era como se estivesse lendo os livros de Watchman Nee. Ele concordou. Comentei, então, que achava que Watchman Nee havia sido influenciado por John Tauler, pois ao ler os escritos do Watchman Nee sentimos a unção de Deus e o mesmo acontece quando lemos John Tauler. Percebemos a unção de Deus, pois às vezes somos levados à Sua presença e descobrimos que eles entraram na presença de Deus de forma profunda.

Meus olhos foram abertos. Vi que na história da Igreja há um grande número de irmãos que amaram ao Senhor e em cujos corações houve profunda operação da cruz. Esses irmãos relatam suas experiências cristãs, de um estágio a outro, explicam problemas e crises de cada estágio e como resolvê-los à medida que crescemos no Senhor. Interessei-me pelos escritos místicos. Sabia que o irmão Kaung havia sido co-obreiro de Watchman Nee e era dez anos mais jovem que ele. Então quis saber como o irmão Nee havia lhe ajudado e treinado; de fato, eu queria saber como havia se tornado tão espiritual. Ele me narrou o seguinte acontecimento: 'O irmão Nee treinou-me a falar. Ele nunca dizia quando eu pregaria, mas pediu que estivesse sempre preparado. Certa vez, um domingo, na hora da reunião, ele escreveu um bilhetinho: 'Hoje você pregará'. Então levantei-me e falei'. Como o irmão Kaung era ainda jovem, era muito crítico consigo mesmo, o irmão Nee sabia que se sentasse no auditório, ele não conseguiria falar. Então ele escondeu-se atrás de uma escada. O irmão Kaung pregou de maneira maravilhosa. Somente mais tarde descobriu que o irmão Nee o ouvira. Deus pôde usá-lo poderosamente porque estava sempre preparado.

A maneira como Watchman Nee treinou Stephen Kaung foi diferente dos outros. A cada duas semanas, ele visitava o irmão Nee e recebia livros, ia para casa e os lia. Após duas semanas, voltava e discutia sobre os livros lidos. Desejei saber quais livros o irmão Nee lhe dera para ler. Ele disse que não entendia por que o irmão escolhera aqueles livros; eram todos escritos místicos. Mas, porque o irmão havia pedido que os lesse, após muito tempo leu todos. O estudo daqueles livros levou o irmão Kaung a escrever o livro 'O Cântico dos Degraus''. Esse livro versa sobre quinze salmos, do Salmo 120 ao 134. Cada um destes salmos tem um título como Cântico dos degraus' ou 'Cântico de Romagem'. Todos os anos o povo de Israel ia adorar em Jerusalém e, para entrar na casa de Deus, tinham de subir quinze degraus. Em cada degrau cantavam um dos salmos, até que chegassem a presença de Deus. Esses salmos são extremamente ricos.

Enquanto o irmão Kaung estudava a Palavra, perguntou ao Senhor se os quinze salmos referiam-se a estágios da vida cristã e, quanto mais estudava, mais se convencia disso. Ele descobriu que aqueles salmos poderiam ser divididos em três grupos, então consultou todos os escritos dos místicos, procurando algo semelhante e descobriu que, entre os místicos, havia muitas experiências com o Senhor. Talvez não conhecessem bem a Bíblia , mas, por meio dessas experiências, passaram por vários estágios da vida cristã.

Autor: Christian Chen
Extraído do site da Editora Restauração: http://www.editorarestauracao.com.br/arqs/boas166.pdf


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