O Senhor Nunca Fica Desanimado

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Nada do que o Senhor fez na terra deixou de ser bom: “Todas as coisas fez bem” (Mc 7:37); não importa o que seja, sempre é bom. Gostaríamos de falar sobre o que o Senhor Jesus realmente fez, dirigindo nossa atenção especial para João 4:13,14.

Aqui Ele diz que encherá o coração dos cristãos de modo que não ficarão mais insatisfeitos. Ele prometeu isto: “O que beber desta água nunca mais terá sede”. O que bebe da água que o Senhor dá nunca mais tem sede, e assim não terá falta, nem ficará desapontado. Perguntamos então: Por que alguns filhos de Deus se sentem insatisfeitos? Muitos continuam a dizer: Estou com sede. Tenho de conseguir algumas coisas. Então a promessa do Senhor não se cumpriu? Porque Ele diz: “aquele que beber da água que eu lhe der nunca terá sede”. O Senhor dá satisfação permanente.

Por Que os Cristãos Ainda Têm Sede?
Então por que existem alguns que estão com sede? Por que há desejos dentro de nós? Por que há desfalecimento? Por que estar ainda tristes? Por que ainda haver amor próprio? Isto é porque prestamos muita atenção ao verso 14 e esquecemos do verso 13: “Aquele que beber desta água tornará a ter sede”. Esta água se refere à água deste mundo que Jacó deixou; a melhor água deste mundo. Muitas pessoas não compreendem a verdadeira natureza da água deste mundo. São ignorantes das propriedades inerentes das coisas que o mundo pode lhes oferecer: se são temporais ou permanentes, visíveis ou invisíveis, materiais ou espirituais. Conseqüentemente, eles não reconhecem que, a fim de obterem a promessa do Senhor com respeito a satisfazer seus corações, eles precisam entender primeiro como a água deste mundo não os pode satisfazer.

Entenda primeiro isto: “Aquele que beber desta água tornará a ter sede”; depois aquilo que o Senhor disse: “Nunca terá sede”. O Senhor quer nos encher completamente para que não venhamos a desejar coisas depois de termos conseguido algo, resultando disso a nossa constante insatisfação.

Não vamos falar aqui sobre como a água deste mundo não pode satisfazer o coração do homem. Vamos focalizar o porquê muitos cristãos ainda estão com sede. A razão está no fato de voltarem uma e outra vez para beberem da água mencionada no versículo 13. Por que uma pessoa fica desapontada? Se não houver esperança, nunca haverá desapontamento. Se uma pessoa nunca espera ser rica, nunca ficará desapontada por não ter riqueza. Por outro lado, se esperarmos que a água deste mundo nos satisfaça, isto é, se nossos olhos estiverem voltados para a direção errada, ficaremos com sede novamente. Aqui está a explicação de haverem tantos que estão desapontados. Por que não estamos satisfeitos? Porque olhamos para estas coisas transitórias para satisfazer nossos desejos. Quando conseguimos riqueza e fama, descobrimos que elas não nos confortam, nem nos satisfazem. Imediatamente, ficamos ansiosos por outras coisas mais. Assim, temos sede após sede. Nosso erro está no esperar que as coisas passageiras encham nossos corações. Quando abraçamos estas coisas, vemos quão depressa desaparecem. Assim, nosso coração nunca fica satisfeito.

I. O Senhor Nunca Fica Desapontado
Em nossa consideração sobre esse ponto, vamos nos concentrar no que o evangelho de João diz sobre Ele. A julgar pelas coisas que aconteceram em Sua vida, as circunstâncias que Ele enfrentou no Seu andar na terra, o Senhor Jesus poderia ter sido desapontado e ter caído em desespero muitas vezes. Todavia, isso nunca aconteceu.

Isaías se refere a Ele afirmando que Deus o usaria para trazer Israel de volta e reunir este povo. Mas é este o resultado aparente? Sabemos que, por todas as aparências externas, foi um fracasso total. O que dizer do sentimento do Senhor registrado neste capítulo? “Trabalhei em vão”, e diz: “Debalde tenho trabalhado e inutilmente gastei as minhas forças; todavia a meu direito está perante o Senhor, a minha recompensa perante o meu Deus” (Is 49.4). Nunca desanimado!!

O que quer dizer Isaías 42:4: “Não falhará, nem desanimará”? Embora as coisas que aconteceram a Ele pudessem facilmente e naturalmente causar desmaio e desespero, Ele, contudo, nunca desanimava. Voltando ao Novo Testamento vemos que existe uma ênfase diferente no evangelho segundo João comparado com Mateus. Em João o Senhor é rejeitado desde o princípio pelos homens, enquanto que Mateus não O mostra como rejeitado antes do capítulo 12. Em João 1:11 lemos: “Veio para o que era seu e os seus não o receberam”. Ele veio para carregar os pecados de Israel e dos gentios. Mas, os homens o rejeitaram e não puderam aceitá-lo. Enquanto o Senhor estava na cruz Ele foi rejeitado pelos homens e esquecido por Deus.

II. Qual Seria a Nossa Reação?
Se fossemos colocados em tal situação, sem dúvida ficaríamos desapontados, desanimados e extremamente feridos. Contudo, na cruz o Senhor clamou: Está consumado! (Jo 19:30). Estivéssemos nós em Seu lugar e teríamos exclamado: Fui vencido! Mas, Ele exclamou como um exército vitorioso: Está consumado. Através da Sua vida Ele tomou Deus como Sua satisfação. Nunca colocou nenhuma esperança nos homens, nem esperou nada deles. Deus era Sua recompensa. O Senhor mesmo declarou que ninguém conhecia o Filho senão o Pai e que nunca recebeu glória dos homens. Ele ainda disse que não veio para fazer a Sua vontade, mas a vontade daquele que O enviara. Ele declarou como sempre fez a vontade do Pai. A vontade do Pai era Sua satisfação. Por isso, não importava quão mutáveis fossem as coisas, pessoas e eventos do mundo ao Seu redor; nada podia desanimá-lo. “Aqueles que fazem de Deus a sua satisfação, nunca serão desapontados”.

Negativamente falando, entendamos que nunca devemos esperar nos homens. Se não esperarmos fama, glória, ajuda, conforto, sustento e outras coisas dos homens, nunca sentiremos sede. Oh, sejamos cuidadosos com relação à nossa atitude para com a água deste mundo, pois, o modo como olhamos o mundo, certamente determinará o que esperamos dele.

III. O Senhor Não Busca Glória dos Homens
“Quando ele estava em Jerusalém na época da Páscoa, durante a festa, muitos creram no Seu Nome, vendo os sinais que ele fazia. Mas Jesus não confiava neles, pois conhecia todos os homens” (Jo 2:23, 24).

No segundo capítulo de João o Senhor realizou dois milagres. No primeiro, seus discípulos crêem Nele e no segundo, muitos mais viram os sinais que Ele fazia e creram no Seu Nome.

Do nosso ponto de vista, se o número de pessoas que atendem a nossa reunião aumenta e os que crêem no evangelho que pregamos se multiplicam nosso coração inconscientemente fica preso. Mas observe isso: “Mas, Jesus não confiava neles, pois conhecia todos os homens” (Jo 2.24). Ele recusou ter prazer nos homens e nem Se confiaria a eles, pois sabia que muitos deles O crucificariam mais tarde. Sem dúvida, o Senhor se alegrava quando criam Nele, mas, mesmo assim, não confiava a Si mesmo a eles. Não era uma questão de não deixar estas pessoas tocarem Seu coração; Ele mostrou como Seu coração nunca foi influenciado pelo trabalho, apesar do sucesso. Como conseqüência, Ele podia manter Sua objetividade.

“Não recebo glória dos homens” (Jo 5:41). Este capítulo registra a história de um homem que sofria de uma doença incurável há trinta e oito anos e que foi restaurado instantaneamente pelo Senhor. Muitos dos que se opuseram a Ele anteriormente O aceitaram agora. Glorificaram a Deus, mas mesmo assim o Senhor Jesus disse: “Não recebo glória dos homens”. Se estivéssemos numa tal situação, daríamos as boas-vindas à glória dos homens.

“Sabendo, pois Jesus que estavam para vir com o propósito de arrebatá-Lo para fazê-Lo rei, retirou-se novamente, sozinho, para o monte” (Jo 6:15). Milhares estavam reunidos nesta ocasião. Após testemunhar a multiplicação dos pães, a multidão elegeu este Homem como seu rei. Mas o Senhor recusou a exaltação deles. O que os homens quisessem dar a Ele, Ele recusaria. Ele não bebia da água deste mundo, pois Deus já havia satisfeito Seu coração, e por isso, podia recusar tudo o que o mundo Lhe oferecesse. Assim, Sua reação concreta foi a de Se retirar. Esta é a melhor atitude para manter um servo do Senhor longe de ser prejudicado pela exaltação dos homens. Retirando-se uma pessoa tem a oportunidade de provar a satisfação que vem só de Deus. A retirada é devido à satisfação interior que vem de Deus.

IV. Jesus e Seus Irmãos
“Seus irmãos lhe disseram: Deixa este lugar e vai para a Judéia, para que também os teus discípulos vejam as obras que fazes. Porque ninguém há que procure ser conhecido em público e, contudo, realize seus feitos no oculto. Se fazes estas coisas, manifesta-te ao mundo. Jesus lhes disse: O meu tempo ainda não chegou, mas o vosso sempre está presente. Tendo dito isto ficou ainda na Galiléia” (Jo 7: 3,4,6,9).

Naquele momento os irmãos do Senhor pensaram que Ele poderia ficar famoso se operasse mais sinais. Daí dizerem que Ele fosse para onde estava o povo. Na Galiléia Ele não poderia ser visto nem pelos Seus discípulos nem pelos judeus. Como poderiam crer Nele? Jerusalém, por outro lado, era uma metrópole onde muitas pessoas se congregavam. Lá Ele se tornaria famoso e muitos creriam Nele. No entanto, “Jesus permaneceu na Galiléia”. Ele recusou as numerosas vantagens.

Ao contrário do Senhor, muitas pessoas são curiosas e quantos louvores nascem da curiosidade do homem. Mas o Senhor recusou os louvores e glória dos homens, por quê? Porque estava cheio por dentro e não precisava de nada de fora. Conhecendo muito bem a água deste mundo Ele podia dizer às mulheres que choravam e lamentavam por Ele: “Não choreis por mim, mas chorai por vós e por vossos filhos” (Lc 23:28). Ele nunca ficou desapontado.

V. O Grão de Trigo
“Em verdade, em verdade vos digo que, se o grão de trigo cair na terra e não morrer, ele fica só; mas se morrer, dá muito fruto” (Jo 12:24). Neste capítulo do evangelho de João o Senhor está experimentando aparentemente o dia mais glorioso da Sua vida inteira. Não apenas Seus amigos criam Nele, mas muitos judeus também. Até os fariseus falavam um com o outro nestes termos: “Vede que nada aproveitais; eis que o mundo vai após ele” (v 19). Seus inimigos aceitaram o fracasso, Seus amigos creram Nele e muitos judeus também. Além do mais, até alguns gentios vieram a Ele, pois está registrado que alguns gregos se aproximaram de Filipe dizendo que gostariam de ver o Senhor. Pelas palavras e ações destas pessoas, vemos que todas concordaram que era um dia de vitória para o Senhor Jesus.

Se estivéssemos numa tal situação, perderíamos a cabeça. Mas, e quanto ao Senhor? Naquele exato momento Ele respondeu aos Seus discípulos: “Se o grão de trigo cair na terra e não morrer fica só; mas se morrer dá muito fruto”. E isto Ele disse Se referindo à Sua morte (v 33). Parece que o Senhor estava dizendo a Filipe: “O caminho que Meu Pai Me enviou a palmilhar não é o assentar todo o tempo vitorioso sobre um asno e entrar em Jerusalém, nem ser recebido e elogiado pelos homens”. O mundo podia oferecer tudo o que tinha a Ele, porém, Ele não aceitava suas ofertas. Ele recusou beber até mesmo uma gota da água deste mundo.

Os obreiros do Senhor devem aprender isto: hoje as pessoas podem mostrar seus rostos a vocês, mas amanhã poderão mostrar o calcanhar. A multidão que no tempo de Jesus gritou Hosana! Naquele dia triunfante, era a mesma que clamou pouco tempo depois: Fora com Ele. Contudo, o Senhor nunca ficou desanimado com suas ações inconstantes. Nele havia uma resistência secreta contra os favores dos homens. Ele nunca manteve relação direta com suas situações. Tudo o que Ele buscava era Deus e Sua vontade. Seu caminho era sempre reto. Nosso Senhor nunca permitiu que Seus amigos quebrassem Seu caminho: nem os louvores dos homens, nem a oposição dos inimigos podiam mudar Seu curso.

VI. O Pai Está Comigo
“Disse-lhe Pedro: Senhor, por que não posso te seguir agora? Eu darei a minha vida por ti. Jesus lhe respondeu: Darás a tua vida por mim? Em verdade, em verdade te digo: o galo não cantará antes que me negues três vezes” (Jo 13:37-38). Todas as tentações até aqui mencionadas vieram da glória dos homens ou do inimigo. Agora o Senhor Se depara com uma prova mais sutil dada por Pedro. Pedro retrucou: “Por que não posso te seguir agora? Por ti darei a minha vida”. Parece-me que Pedro muitas vezes andou na frente do Senhor e até o ajudou, mas o Senhor não Se confiava a ele. Se eu tivesse discípulos (naturalmente não terei nenhum) e um deles em particular tivesse me ajudado muito no passado, eu lhe lançaria um mal olhado se ele ousasse me negar enquanto eu estivesse sendo julgado em algum tribunal. Eu lhe lançaria um olhar querendo dizer: Você ousa-me negar? Mas não foi assim com o Senhor e Pedro. Ao invés disso Ele olhou para Pedro de tal forma que o levou a sair e chorar amargamente. Relacionado com isto há um hino muito comovente que diz assim:

O que tem rasgado a aparente beleza dos ídolos da terra?
Não um sentimento de direito ou justiça
Mas um olhar de valor inestimável.
É aquele olhar que derreteu Pedro,
O rosto que Estevão viu,
E o coração que chorou com Maria,
Só ele pode atrair dos ídolos.

Se os dois olhos do Senhor nos atingem, somente isto nos derrete completamente. Entretanto este olhar para Pedro tem outra revelação. Esperamos muito do nosso discípulo e daí ficamos desapontados e feridos quando ele falha ou fala indignamente de nós. Nós, porém, com nosso Pedro, não podemos suportar a infidelidade e enganos do nosso Pedro. Aliás, se esperamos que parentes e amigos e outras pessoas nos satisfaçam, sempre ficaremos com sede novamente. Mas, se nos regozijarmos somente em Deus e nas coisas que Ele providenciou tais como casa, amigos, alimento ou outras coisas ficaremos satisfeitos com Deus. Qualquer mudança das circunstâncias nos traria desapontamentos ou desespero.

“Jesus lhes respondeu: Credes agora? Eis que a hora vem quando sereis dispersos cada um para sua casa e Me deixareis sozinho; contudo, eu não estou sozinho porque o Pai está comigo. Estas coisas eu vos tenho falado, para que em mim tenhais paz. No mundo tereis tribulação, mas tendes bom ânimo, eu venci o mundo“ (Jo 16:31-33).

Nesta altura todos os discípulos já haviam crido no Senhor. Mas o Senhor lhes diz: Credes agora? Sereis dispersos cada um para sua casa e me deixareis sozinho; mas eu não estou sozinho, pois o Pai está comigo. Assim, como João 17 registra a última oração do Senhor, João 16 registra a última conversa com Seus discípulos enquanto Ele estava na terra. A cristalização das Suas palavras é encontrada nas palavras: “Sereis dispersos e me deixareis sozinho”. Se tal situação nos acontecesse, murmuraríamos contra Deus dizendo: Por que me deixaste aqui sozinho? Porém, o Senhor disse calmamente: “O Pai está comigo”. Ele tinha o direito de receber consolo dos Seus discípulos que estavam com Ele por tanto tempo, entretanto, não depositou Sua esperança em nenhum deles. E como sabemos, eles O abandonaram; Ele, porém, não ficou nem ferido com o acontecimento. Pelo contrário, antes de acontecer Ele lhes disse: “Tende paz em mim”. Ele sabia que qualquer que bebesse da água deste mundo tornaria a ter sede. Por isso, mesmo que esta água lhe estivesse disponível, dela Ele não bebeu. Aqueles que recusam beber desta água não sentirão mais sede.

Temos Uma Vida de Satisfação?
Por que não temos? Por que somos desapontados? É porque temos esperanças, grandes esperanças. Quando falhamos em alcançar aquilo que pensávamos que poderia nos encher, ficamos desanimados. Tenho sido insultado muitas vezes e até mesmo elogiado (até por Satanás), mas o Senhor me lembra deste verso sobre não beber da água deste mundo para não ficar com sede novamente. Quando o mundo te oferece afeição, ajuda, riqueza, fama, conforto e facilidade, você pensa que por serem suas você pode beber abundantemente delas. Mas, se você assim fizer tornará a ter sede. Na proporção que você bebe da água deste mundo, você voltará a beber dela.

Muitos perguntam: “Por que outras pessoas sentem a preciosidade do Senhor e eu não?” Posso respondê-las assim: “É porque além do Senhor, você tem outras águas para beber. Não é de se maravilhar que você não veja o valor do Senhor”. Se observarmos quão completa é a nossa consagração e o que temos perdido deste mundo saberemos o valor que o Senhor tem para nós.

Paulo não diz apenas que ganhou o Senhor como seu tesouro; ele também precisou perder algo. Ele considerou todas as coisas como perda; abriu mão de tudo, pela excelência do conhecimento de Cristo. Se você não conhece nada senão Cristo, você provará também quão precioso é o Senhor e como Ele satisfaz. Conservando o espírito dos versículos do capítulo quatro de João podemos dizer que a medida da nossa perda é a medida do nosso ganho. Quanto mais você resistir àquilo que vem do mundo, mais você desfrutará das riquezas do Senhor.

Caros amigos, se as pessoas lançarem afeto, fama, conforto, glória, riqueza na direção de vocês, o que vocês farão? Como vocês devem reagir? É verdade que a mulher samaritana por ter tomado posse da água viva não vai mais beber da água deste mundo? Não, porque ela precisa beber da água deste mundo. Nós também não temos como deixar de beber dessa água. Desse modo, devemos permitir que amigos e parentes amontoem fama, glória, riqueza e conforto sobre nós; todavia, não devemos permitir que tais coisas tenham domínio sobre nós, nem tampouco nos confiar a eles. Nossos corações não devem ser agitados por estas coisas, nem devemos pedir nada às pessoas. Se não pedirmos para beber dessa fonte, nunca ficaremos desapontados.

Creio que as palavras de Isaías com respeito ao Messias vindouro, nosso Senhor Jesus, são muito preciosas: “Cresceu perante ele como um renovo e como raiz de uma terra seca” (Is 53.2). O que isto significa? Num solo onde há água a árvore pode crescer depressa e com facilidade. Mas, o ambiente no qual o Senhor estava não O ajudou em nada nesse sentido. Não houve nada em Seu ambiente que pudesse dar algo a Ele. O mundo não tinha nada com que ajudá-Lo. Nem seus inimigos, nem Satanás O ajudaram no mínimo. Nem mesmo os anjos puderam ajudá-Lo. Ele recebeu tudo de Deus. Ele não recebeu nenhum encorajamento, consolação ou suprimento do que estavam ao Seu redor. Sua vida era uma linha reta.

Sabemos que uma linha reta é o caminho mais curto entre dois pontos. Desse mundo para uma região distante, nosso Senhor andou um caminho reto. Ele disse: “Ninguém que lança mão do arado e olha para trás é apto para o reino de Deus” (Lc 9:62). O que significa isso? Significa que aquele que tem as mãos no arado precisa manter seus olhos olhando para frente não pode olhar para trás, senão os sulcos que ele faz ficarão tortuosos. Se ele estiver olhando em frente os sulcos ficarão retos. Entendamos que o Senhor não quer que nos voltemos para o lado nem demos meia-volta. Só Ele deve ser nossa satisfação.

Como podemos ficar satisfeitos? Ouça o que nosso Senhor declarou: “A água que eu lhe der se fará nele uma fonte que jorre para a vida eterna” (Jo 4:14). Fama e glória exteriores não têm valor duradouro. À parte do Senhor, do Espírito de Deus em nós, nada pode nos satisfazer. Louvo e agradeço porque Ele já atravessou o curso da vida para mim. Ele é realmente o Senhor amado. Amém.

Autor: Watchman Nee
Tradução: Delcio Meireles


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