Negativismo

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“Sê forte, encoraja-te, e faze a obra... o Eterno está contigo” (I Cr 28:20)

Fugir, Rebelar ou Cooperar
O negativismo ou isolacionismo, é um caminho com beco sem saída, pois não conduz a nada. Três são as atitudes que podemos tomar com respeito à realidade:
(1) Fugir dela,
(2) Rebelar,
(3) Cooperar.

Muitos são os que não querem cooperar com a realidade; outros se rebelam contra ela e assim buscam fugir da realidade. O escapismo torna-se, desse modo, uma atitude de vida. Isto, no entanto, pode ser uma coisa quase que inteiramente inconsciente. Sim, porque o ego não tentará fugir da realidade a menos que possa salvar o seu respeito próprio, por convencer-se a si próprio de que tal atitude se justifica. E essa justificação própria toma várias formas, chegando mesmo a desencadear enfermidades. Assim tais indivíduos dizem: “Eu faria isso perfeitamente bem, se estivesse passando bem; mas não me sinto bem de saúde, estou plenamente justificado de não tentar fazer isso.”

Ataque de Asma
Um senhor muito consciencioso, tendo recebido um serviço bastante pesado, sentia-se atacada de asma todas as vezes que se via em apertos e não conseguia dominar a situação. Isso era um mal inconsciente, forçosamente, porque tinha assim que descobrir um motivo para não se sentir capacitado a dominar a situação. E a asma era o motivo que não passava de uma indução mental.

Medo e Doença do Coração
Observou-se que em seis casos de doenças do coração, surgidos entre soldados que estiveram na guerra nos anos de 1917 e 1918, cinco tiveram seu diagnóstico errado, pois não sofriam realmente do coração. Francisco Sill Wickware afirma: “Milhares de paciente foram dispensados e reformados nessa base, e, de fato, tornaram-se cardíacos crônicos. Tais soldados, ao calor das batalhas, gostariam de ter sumido de lá; mas é coisa horrível ser apontado como covarde. Raciocinaram assim: ‘não sou covarde mas meu coração o deseja. Desse modo, minha vontade de escapar daqui é justificável’.” Para sustentar a justificação própria, é preciso manter essa atitude de coração. E isso é feito inconscientemente. É desse modo que uma pessoa se atira nos braços de uma invalidez crônica. O mal do coração não é de natureza estrutural e sim funcional.

Auto-Compaixão
Ouvi de uma senhora que sofre de uma auto-compaixão em seu interior, devido às aflições de sua vida. Sofreu uma prolongada série de acidentes, série bem maior do que as leis de mutação poderiam justificar. Assim, inconscientemente ela produz esses acidentes com o fim de justificar sua auto-compaixão. Tal senhora possui poderes que poderiam ser usados de maneira estupenda, se ela expulsasse de si sua auto-compaixão. Outra senhora que conheço, vive em torno do seu ego e padecente de males do estômago e de dores nervosas constantemente. O marido dela sofreu um ataque de apoplexia (sentidos dos movimentos) e ela se queixa dizendo que todos simpatizam com ele, mesmo que ele não sinta dores tão agudas quanto ela. Isso é viver negativamente.


Oração
“Ó Senhor, vieste para nos salvar de todo desvio, de toda fuga à responsabilidade e todas as desculpas. Livra-me de tudo quanto não é a realidade. Ajuda-me a ser real – em tudo, porque não posso fugir e devo dominar e vencer. Amém”.


A Fuga para o Anonimato
Vamos continuar nossa consideração dessa estrada com beco sem saída: a estrada do isolacionismo ou da fuga. Certa jovem sueca foi enganada pelo namorado. Deitou em seu leito e durante seis anos tornou-se uma inválida. Ela se retirou da sociedade mundana, cruel e egoísta, para se recolher à sua invalidez. Certa amiga ajudou-a a renunciar sua vida negativa e a depor seu medo da vida nas mãos de Deus. Pois a tal jovem sentiu-se libertada e viveu de modo positivo o resto da sua vida. Hoje é uma diaconisa na igreja e uma pessoa radiante, progressista e útil.

Muitas pessoas estão estragando suas vidas. Por exemplo: há pessoas, não poucas, que tiram partido das atitudes e costumes reinantes para fugir da responsabilidade de agir conforme uma visão mais elevada que receberam. Daí a desculpa do estudante de primeiro ano: “Todos fazem assim!”. A sociedade exige conformidade. Se você estiver abaixo de seus padrões, ela punirá você. Se você se elevar acima de seus padrões, ela perseguirá você. Ela exige uma conformidade média, de cor parda. Assim, muitos sucumbem e se fazem ecos em vez de vozes, e de coisas em vez de pessoas. O esconder-se no anonimato é hoje uma coisa comum: “Eu é que não vou arriscar o meu pescoço nisso.” É assim que as convicções são suprimidas, o crescimento da personalidade é impedido, produzindo o definhamento e morte da vida espiritual. Um anúncio diz: “Venha ao coquetel da sexca para um mole passatempo.” Observe a palavra “mole”. Aí você se encaixa, pois não se travam debates, você se conforma, se achata, não se bate por coisa alguma, topa com o que der e vier e até com a folia. Pois esta arrasadora paralisia está matando a alma norte-americana. Quando uma entidade trabalhista estava prestes a adotar por unanimidade uma proposta apresentada por um patrioteiro exaltado, proposta baseada em ódios diabólicos e preconceitos raciais, certo líder se levantou, conteve aquela maré e se viu aplaudido por prolongada salva de palmas. A proposta foi rejeitada. Por que aquela assembléia aplaudia a coragem e o bom senso daquele homem? Porque viram nele aquilo que gostariam de ser e que não se animavam a encarnar, visto que se acomodavam ao teor dominante de nossa filosofia de vida, essa filosofia que nos leva a não arriscar nosso pescoço por coisa alguma. A filosofia está criando esta nossa civilização, moralmente embotada e sem cor.

Mulheres e homens mostram-se continuamente afetados por essa avassaladora paralisia moral. Antes de agir, olham ao redor, e não para o alto. Desse modo não agem; apenas reagem. Assim rapidamente vão todos se agrupando sob mui cômoda marca “idem” (igual). E vão descendo cada vez mais através de seus anos remotadamente inúteis. “É chique” ser vazio, incolor, ajustado a tudo, viver no vácuo, ser um zero à esquerda.


Oração
“Ó Senhor Jesus, de vontade firme, de propósitos indesviáveis, de coração que prefere morrer a conformar-se com o erro. Ajuda-me a ser positivo, progressista e determinado. Auxilia-me a apossar-me de Tua calma coragem. Amém.”

Pensamento para este dia:
“A tartaruga nunca vai a qualquer lugar, sem primeiro por o pescoço pra fora...”

Autor: Stanley Jones
Traduzido por Delcio Meireles


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