A Nova Criação

Artigo exibido: 3564 vezes

Quando o Espírito Santo trouxe à vida do crente uma nova natureza, Ele abriu a porta para uma união viva e orgânica entre o cristão e Cristo. Cristo e o cristão são então eternamente um. Mas o que é ser cristão? É ter o Cristo glorificado em nós em real presença e poder.

“Estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé no filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim”. (Gl 2:20).
Cristo vive em mim. Você pode dizer isto? Paulo podia. Mas note a ordem das suas palavras. Primeiro: “Estou crucificado com Cristo”, então “Cristo vive em mim”. O destronamento do ego precede e abre caminho para a entronização de Cristo.

Ser um cristão é ter a Vida de Cristo como nossa vida de tal forma e num grau tal que possamos dizer como Paulo: “Para mim o viver é Cristo”. Isto significa que Cristo agora vive em você, seja em Hong Kong, nos Estados Unidos, na Europa ou em qualquer outro lugar, de forma tão verdadeira quanto viveu em Cafarnaum ou Caná. É assim com você?

Ser cristão significa possuir a semente divina que foi plantada em nosso espírito interior no novo nascimento, desabrochando em crescente conformidade com sua vida perfeita. É ser diariamente “transformado à sua semelhança de glória em glória”. Estamos assim sendo transformados?
Ser um cristão é ter Cristo como a vida da nossa mente, coração e vontade, para que Ele seja Aquele que pensa através de nossa mente, ame através de nosso coração e queira através de nossa vontade. É ter Cristo preenchendo nossas vidas numa medida sempre crescente, até que não tenhamos vida a parte dEle. É assim que Ele preenche você?

Contudo, posso ouvir alguns Nicodemos modernos dizer, ‘Como isso pode ser? Como posso viver tal vida em meu lar onde não recebo ajuda ou aprovação antes escárnio, onde tenho vivido por tanto tempo uma vida de derrota? Como posso ter uma vida coerente em meu círculo social que está impregnado de mundanismo e fraqueza, onde Cristo nunca é mencionado ou mesmo considerado? Como posso viver uma vida espiritual num local de trabalho onde todos ao meu redor vivem completamente na carne? Como posso até mesmo viver no mais alto plano em minha igreja quando ela é mundana e modernista, e não sou alimentado ou ensinado?’

Bem, você não pode viver essa vida, mas Cristo pode. Cristo em nós pode vive-la em todo e em qualquer lugar. Ele a viveu na terra em um lar onde era incompreendido e caluniado, no meio de pessoas que o ridicularizavam, zombavam dEle, se opunham a Ele e finalmente O crucificaram. Todo o objetivo desta mensagem hoje é para mostrar que não temos que viver esta vida, mas que Cristo deseja e é capaz de vive-la em nós.

Essa é a verdade que Cristo em princípio ensinou na Sua última conversa com Seus discípulos. Ele disse-lhes que partiria para longe deles e eles queriam saber como poderiam viver sem Ele. Porém Ele assegurou-lhes que estaria com eles em uma presença espiritual muito mais vital e real do que o relacionamento que formalmente tiveram com Ele. A vida da videira se tornaria a vida das varas.

“Eu sou a videira; vós sois as varas. Quem permanece em mim e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer” (Jo 15:5).

Depois que ensinou, orou sobre isso. Foi o encargo da Sua oração de Sumo Sacerdote.

“E eu lhes fiz conhecer o teu nome, e lho farei conhecer ainda; para que haja neles aquele amor com que me amaste, e também eu neles esteja” (Jo 17:26).

Você já refletiu sobre essas duas palavras desta oração? “Eu neles”, estas simples, mas significativas palavras exalam o mais profundo desejo do coração de Cristo em relação aos Seus. É Seu ardente desejo de ser um com o cristão.

Paulo se prendeu a essa gloriosa verdade e ela se prendeu a ele. Ela está entretecida na urdidura e trama da sua experiência, pregação e serviço missionário.

“Cristo vive em mim” e “para mim o viver é Cristo” foi o ponto alto da Sua experiência pessoal. Não havia nada além disso para Paulo. Para ele isso era vida no plano mais alto.

“Cristo em vós” era o centro de sua mensagem às igrejas. Ela ressoava com toda clareza em todo ensino e pregação de Paulo.

“A quem Deus quis fazer conhecer quais são as riquezas da glória desse mistério entre os gentios, que é Cristo em vós, a esperança da glória” (Cl 1:27).

“Cristo em nós” era o sentimento de todo o serviço missionário de Paulo. Ele tinha um único alvo e meta em toda forma de trabalho executado, que Cristo pudesse ser formado em cada convertido. “Meus filhinhos, por quem de novo sinto as dores de parto, até que Cristo seja formado em vós” (Gl 4:19).

Cristo é o centro do cristão; Cristo é a periferia do cristão; Cristo é tudo no meio. Como Paulo colocou “Cristo é tudo em todos”. Cristo é a vida da nossa vida.

“Quando Cristo, que é a nossa vida, se manifestar, então também vós vos manifestareis com ele em glória” (Cl 3:4).

Ele é isto para você?

A história espiritual de cada cristão poderia ser escrita em duas frases: “Tu em mim” e “Eu em Ti”. Na consideração de Deus, Cristo e o cristão se tornam um de tal maneira que Cristo está tanto no céu como na terra e o cristão está tanto na terra como no céu. O Cristo no céu é a parte invisível do cristão. O cristão na terra é a parte visível de Cristo. Esse é um pensamento chocante. Sua plena significação é que você e eu devemos trazer Cristo do céu para a terra para que os homens possam ver quem Ele é e o que Ele pode fazer em uma vida humana. É ter a vida de Cristo vivida em nós em tal plenitude que O vendo em nós os homens sejam atraídos a Ele em fé e amor.

Extraído da Revista O Vencedor
(Do livro “Rios de Águas Vivas” [Rivers of Living Water])