Cristo e Sua Igreja

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Existem poucos assuntos mais maravilhosos para meditação do que a relação que o Senhor estabeleceu entre Si mesmo e Sua Igreja, e em nenhum lugar isso é mais revelado do que na posição responsável em que Ele a colocou durante Sua ausência.

Vamos considerar isso somente em um de seus aspectos. Os homens que deveriam ser as testemunhas daquela ressurreição estavam todos presentes, menos um. O pronunciamento da bênção, “Paz seja convosco”, foi dado. Seguiu-se o contentamento de coração que sempre a acompanha. A bênção foi repetida e, com ela, a comissão:
“Assim como meu Pai me enviou, também eu vos envio a vós” (Jo 20:21). Alguém, que é eminente tanto por sua erudição quanto por seu amor à verdade, comenta que a Igreja é mais endividada com as pequenas palavras da Bíblia do que pensa. De fato, muito da mente do Espírito é comunicado a nós em pequenas palavras. É assim aqui: “Assim como meu Pai me enviou, também eu vos envio a vós!”

Nosso Senhor assemelhou a comissão dada agora aos Seus discípulos com a comissão dada por Seu Pai a Ele. Vamos traçar algumas de suas analogias.

Cristo era o representante do caráter de Seu Pai. No mais elevado sentido, certamente o caráter da Divindade nunca poderia ter sido plenamente compreendido pela criatura a menos que Cristo aparecesse como homem.

Mas, adicionalmente à apresentação dos atributos divinos que Cristo manifestou, o nome, o caráter e a honra de Seu Pai estavam sempre presentes em Sua mente e pensamento, e Ele os preservou e exibiu em toda a pureza e atratividade deles.

“Eu honro o meu Pai” era Sua palavra aos Judeus (Jo 8:49). Isso fora predito sobre Ele eras antes: ”Eu o dei como testemunha” (Is 55:4).

Ele era, então, o representante, a testemunha e o guardião do caráter de Seu Pai no mundo. Como Ele mostrou isso? Principalmente por Sua vida. Suas palavras eram cheias de poder, mas Sua vida era ainda mais poderosa. E assim deveria ser conosco.

É dito do profeta Samuel: “E nenhuma de todas as suas palavras deixou cair em terra” (1Sm 3:19). Se desejamos o mesmo testemunho, nossas ações devem estar em harmonia com nossas palavras.

Em ambas, vida e palavras, devemos ser testemunhas de Cristo. Quer queiramos ou não, nossa influência deve ser sentida, e essa influência é tanto consciente como inconsciente: consciente em nossos esforços vigilantes para falar e agir para a glória de Cristo e inconsciente em relação ao nosso real caráter. Como somos assim será nossa influência.

Ser testemunha de um Salvador invisível é a alta honra posta sobre todos os Seus seguidores. Estamos buscando isso? Se sim, somos bem-aventurados. Isso implica muitas coisas: a renúncia do ego no mundo, na Igreja, na família, nas transações da vida, nos negócios, tanto quanto no lugar secreto.

Esta foi uma declaração de repreensão de um homem de grande notoriedade como escritor público: “Conheço homens e mulheres que se vangloriam de sua separação do mundo porque nunca foram vistos num teatro ou numa sala de concerto, dos quais a cobiça, a insinceridade e o discurso de censura aos outros os declaram imersos no mundanismo de seus próprios lábios”.

Tiago, o severo denunciador do uso licencioso daquele membro obstinado, a língua, é raramente citado pela maioria dos cristãos. As palavras que deveriam ser um testemunho de Cristo são, muito freqüentemente, empregadas no julgamento de outros, o que Tiago declara ser um falar mal e um julgamento da lei (4:11).

Levantemo-nos, então, para nosso elevado chamamento em Cristo Jesus, nem desencorajado pelas derrotas passadas nem pelas dificuldades presentes. Cristo é todo-poderoso e Seu prazer é dar poder ao Seu povo. “Esforça-te, e tem bom ânimo” foi o mandamento no Velho Testamento (Js 1:6).

“Estejais pois firmes na liberdade com que Cristo nos libertou” (Gl 5:1) e “havendo feito tudo, ficar firmes” (Ef 6:13,14) são os mandamentos do Novo Testamento.

Estamos definitivamente em Cristo, e o que mais precisamos é crer nisso. Então nosso testemunho será positivo, restritivo e puro. A presença de Cristo não é uma teoria nem somente uma promessa, mas um fato. “Eu estou convosco todos os dias, até à consumação dos séculos” (Mt 28:20). Onde Ele está há paz, luz, liberdade, alegria, poder e êxito. “Assim como meu Pai me enviou, também eu vos envio a vós”.

De uma antiga edição de The Overcomer


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