O Homem Certo Ao Nosso Lado

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Para mim é uma fonte constante de instrução, quando leio as escrituras, notar, o que eu chamo em meu próprio entendimento, suas verdades compensadoras. Para citar um exemplo óbvio, a total depravação e completa incapacidade do homem para se recuperar pelos seus próprios esforços da queda é total e fortemente declarada na Bíblia; mas por outro lado é sempre colocado o “completo, perfeito e suficiente” sacrifício uma vez oferecido para o homem pelo Senhor Jesus Cristo no Calvário. O primeiro fato visto isoladamente pode muito bem levar qualquer homem zeloso ao desespero; mas quando o segundo fato é colocado lado a lado com ele, a expressão de regozijo e maravilha de Paulo deve seguramente se tornar nossa também, “Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos!” (Rm 11:33).

O mesmo princípio opera no caso do incessante conflito que a Igreja é chamada a empreender “contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes do mundo destas trevas, contra as hostes espirituais da iniqüidade nas regiões celestes” (Ef 6:12). A Bíblia revela com surpreendente clareza o vasto sistema satânico de engano e opressão que sustenta o império em decadência do gênero humano; e quando alguém olha para o mundo como ele está hoje, o caos nas negociações internacionais, as trevas que cobrem os corações da maior parte da humanidade e a prevalecente fraqueza e decepção no meio das Igrejas Cristãs, são suficientes para assustar o mais firme coração. Por essa razão, o que eu e você precisamos é de uma clara compreensão da maravilhosa verdade compensadora da Vitória do Calvário, e ressuscitar dela a capacidade para trazer uma mensagem positiva para nossos dias e nossa geração.

Aqui está o pleno fato Escritural: O Santo de Deus, que morreu por nós na Cruz, vive como nosso representante no trono da autoridade “assentado à direita da Majestade nas alturas” (Hb1: 3). Nos é dito em Filipenses 2: 8-11 que Ele “tornou- se obediente até a morte, e morte de cruz. Pelo que também Deus o exaltou soberanamente, e lhe deu o nome que é sobre todo nome; para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para glória de Deus Pai”. Isso se harmoniza com as palavras de Jesus para Seus discípulos, “Foi-me dada toda a autoridade no céu e na terra”. (Mt 28:18). A aceitação e atuação à luz deste fato foi o segredo do sucesso alcançado pela Igreja primitiva, e tem sido a inspiração por de trás de toda a vitoriosa invasão à fortaleza das trevas desde então. Martinho Lutero, por exemplo, no primeiro verso do seu grande hino de batalha, revela o poder e destreza de Satanás, e então continua, “Se confiarmos em nossa própria força, nosso esforço seria fracasso; não estivesse ao nosso lado o Homem certo, o Homem escolhido pelo próprio Deus. Pergunte quem pode ser Ele? Cristo Jesus é Ele! Senhor dos Exércitos é o Seu nome, de geração em geração o mesmo; e Ele precisa vencer a batalha”. Sugiro, portanto, que como um primeiro antídoto para o atrapalho e derrotismo, engendrado pela sutileza satânica, que nos ameaça a todos da mesma maneira hoje na obra Cristã, que você mesmo deveria tomar a Bíblia e encontrar todas as passagens que puder que proclamam o Cordeiro de Deus como o Senhor poderoso vencedor, e pedir ao Espírito Santo que torne este fato vivo para você e em você como nunca. A vida Cristã é cheia de paradoxos. Como pode ser possível estar em conflito quando a vitória já foi conquistada? Ainda assim esta é exatamente a nossa posição. Antes mesmo de ir para a Cruz o Salvador disse claramente, “Agora é o juízo deste mundo; agora será expulso o príncipe deste mundo” (Jo 12:31); e agora Ele diz que a convicção, ou o claro conhecimento, de que o Espírito Santo dará testemunho “Do juízo, porque o príncipe deste mundo já está julgado” (Jo 16:11). Aqui o verbo está no tempo passado, foi julgado. Isso significa que nós não somente entramos na batalha, certos da vitória no futuro, mas entramos pela fé em um triunfo já completo, que devemos ver em nossas próprias circunstâncias, enquanto lembramos que vitória nem sempre necessita significar livramento do sofrimento. O martírio de Estevão, por exemplo, foi em completa fluência da vitória Divina. Os triunfos da fé vistos em Hebreus 11:33-40 nos dão o equilíbrio deste pensamento. Em alguns casos a conclusão do triunfo do conflito é visto em maravilhoso livramento, em outros em sofrimento suportado por amor e lealdade a Deus. Martinho Lutero não estava iludido quanto ao poder e astúcia do inimigo, ele não era um homem de enfiar a cabeça na areia, e dizer “Estes fatos são desagradáveis, fingirei que eles não existem”. Ele foi guiado pelo Espírito Santo à Palavra de Deus, e vendo lá a revelação do Cristo reinante, foi para a batalha na confiança da vitória já conquistada no Calvário, e na força de Alguém mais poderoso do que todos os poderes do inferno. Devemos por um momento retornar para Filipenses 2, onde me parece recebermos alguma luz muito prática de como deveria ser a nossa atitude em vista da preeminência do nosso Ressurreto Senhor.

Lemos no verso 12, “De sorte que, meus amados”, e este “de sorte que” liga o que se segue com tudo o que foi dito nos versos anteriores. “Do modo como sempre obedecestes, não como na minha presença somente, mas muito mais agora na minha ausência, efetuai a vossa salvação com temor e tremor; porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade.” Fazei todas as coisas sem murmurações nem contendas; para que vos torneis irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus imaculados no meio de uma geração corrupta e perversa, entre a qual resplandeceis como luminares no mundo, retendo a palavra da vida” O próprio fato da exaltação do Cordeiro ao “meio do trono” (Ap 5: 6) é agora considerado a base na qual todo o avanço na vida Cristã e ousadia no serviço é suprido. Nos é dito que isso deve ser aplicado às circunstâncias das nossas próprias vidas, e que humilde e cautelosamente devemos perceber que Seu triunfo não é negativo, mas manifestado continuamente justamente onde estamos. Devemos manter nossos olhos afastados dos homens e das condições; evitar murmurações e disputas; e através do Espírito que habita em nós nos guardarmos da engano e opressão do inimigo, e dos caprichos da nossa “velha natureza”, para que possamos ser “irrepreensíveis e sinceros”. Não devemos ser vencedores através das trevas, que nos rodeiam, mas sermos luzes brilhantes, que manifestam a glória da Palavra da Vida tanto pelo procedimento como pelo falar.

Muitos de nós enfrentamos problemas que parecem não ter solução, situações que nos confundem mais do que palavras, deficiências em nosso caminhar e experiência, indivíduos que ansiamos ver libertos e trazidos para Cristo mas sobre os quais temos a impressão de sermos fracos para tocar; e acima de tudo existe a grande nuvem da indiferença, pecado e ignorância obscurecendo os corações dos homens a nossa volta, os quais todo nosso esforço para penetrar parecem vãos. Deixemos este fato cair direto no verdadeiro âmago do nosso ser. Em Cristo e só em Cristo está a resposta. Não se engane. Satanás não poupará esforços para lançar um obstáculo entre nós e nosso Senhor; nos manter constantemente correndo atrás do que não é essencial. Mas no Senhor Jesus Cristo está assentada toda a plenitude e todo o poder, e “nEle temos a plenitude” (Cl 2:10). Nossa atitude nestes dias precisa ser mais e mais “Ó minha alma, espera silenciosa somente em Deus” (Sl 62:5).

Uma rápida olhada em umas poucas passagens em Atos dos Apóstolos nos mostrará como esta atitude era o segredo do poder da Igreja primitiva, e como eles puseram em operação prática o poder do nome de Jesus.

Pedro, afrontado com a impotência humana nos próprios degraus do templo na pessoa do homem coxo, disse “Não tenho prata nem ouro; mas o que tenho, isso te dou; em nome de Jesus Cristo, o nazareno, anda”. (At 3:6). Subseqüentemente, em tua defesa diante do Sinédrio, falou da cura deste homem nas seguintes palavras, “Seja conhecido de vós todos, e de todo o povo de Israel, que em nome de Jesus Cristo, o nazareno, aquele a quem vós crucificastes e a quem Deus ressuscitou dentre os mortos, nesse nome está este aqui, são diante de vós” (At 4: 10). A invariável resposta para a necessidade humana deve ser encontrada no nome de Jesus Cristo nosso Senhor.

Saulo de Tarso era “um vaso escolhido”, e lhe foi dada esta comissão: “levar o meu nome perante os gentios” (At 9:15), para cumprir o que nos é dito, que ele “tem exposto a sua vida” (At 15:26). Em Atos 16 verso 18 o vemos face a face com uma vida oprimida pelo maligno, e, em completa simplicidade, usando a autoridade daquele grande Nome, disse “Eu te ordeno em nome de Jesus Cristo que saias dela”, e o demônio “na mesma hora saiu”. Atos 19 verso 13 nos mostra que este Nome não é um mero “amuleto”. Quão atados muitos de nós somos a uma “forma de palavras”. Muitas vezes tenho sido questionado, “Como devo orar sobre esta e esta situação”, e o próprio tom de tal pergunta mostra uma verdadeira falta de entendimento espiritual. A única coisa que importa é nosso próprio conhecimento profundo do poder do Nome de Jesus, e um humilde caminhar com Ele, tal que possamos ser ensinados pelo Espírito Santo o momento certo em que devemos proclamar Seu Nome, e ver fortalezas caírem diante dEle. Note cuidadosamente a redação deste verso, “Ora, também alguns dos exorcistas judeus, ambulantes, tentavam invocar o nome de Jesus sobre os que tinham espíritos malignos, dizendo: Esconjuro-vos por Jesus a quem Paulo prega”. Note também a resposta dos demônios para os filhos de Ceva, “A Jesus conheço, e sei quem é Paulo; mas vós, quem sois?” A vitória do Calvário é conhecida e temida no reino das trevas, assim como são os que, unidos com Ele em Sua morte e ressurreição, estão também assentados “nos lugares celestiais”. Exceto por esta vital união com Ele, ninguém mexa com os poderes e forças demasiadamente fortes e astutas para a carne e o sangue combaterem.

Vamos encarar os fatos. As torrentes da maldade estão constantemente ascendendo. Somos confrontados com um peculiarmente sutil e devastador avanço dos poderes do mal contra o Cristo de Deus e Sua Igreja. Os próprios eleitos estão em perigo de engano, e o testemunho do evangelho está ameaçado de desprestígio. Mas o dia da graça finalmente ainda não encerrou e Sua promessa é “eis que Eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos” (Mt 28:20). Creio realmente nisso? É uma questão que faço muitas vezes a mim mesmo. E você, faz? Se fizermos então todas as coisas imediatamente se tornam fáceis. A autoridade do Seu nome, o poder do Seu trono e Sua infalível plenitude estão a nossa disposição. É preciso somente que cortemos o acúmulo de doutrinas e atividades não essenciais e nos concentremos no ensinamento do nosso querido professor, Deus o Espírito Santo, de como aplicar esta ampla provisão passo a passo, dia a dia, para todas as situações em nossa volta. Devemos então tanto ver Satanás recuar como experimentar uma tal manifestação da graça de Deus que sob pressão extrema Sua fragrância se espalhará em torno de nós, e o “bom prazer do Senhor prosperará na Sua Mão” (Is 53:10).

Do livro: \'There\'s a Fight to be Fought\' (Há um combate a ser combatido).
Extraido da Revista O Vencedor


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